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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ribeirópolis - cidade de Sergipe, Brasil


“Emancipada em 18 de dezembro de 1933, Ribeirópolis [o que significa: cidade de Ribeiro] antes era chamada de Saco do Ribeiro, um pequeno lugarejo que pertencia à Vila de Itabaiana/SE. Segundo consta em alguns escritos da época, a povoação deu-se pelo fato de aumentar cada vez mais a comercialização na feira livre, ou seja, o comércio informal. Essa foi a razão maior pela qual vários habitantes chegaram a elevar tal lugar à categoria de cidade. (...). Um aspecto hilariante foi a formação do nome, que pela lenda local, advém de um visitante forasteiro que habitava aqui e tinha um saco em mãos. Porém, todo o mistério e os questionamentos estão exatamente nos objetos que ele carregava como bagagem, já que nunca mostrou a ninguém nem explicou o porquê deste saco. Para alguns, um ciganoi”.
Localiza-se a uma latitude 10º32'22" sul e a uma longitude 37º25'00" oeste, estando a uma altitude de 293 m. A população estimada em 2010 era de 17.173 habitantes, segundo o IBGE. Possui uma área de 26.364 km².
Esta é umas das praças no Centro da pequena cidade.
Praça com fonte.
A Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus.
Mais uma praça central, na qual se encontra a escultura do "Cigano", que remonta ao primeiro nome da Cidade, quando o vilarejo ainda pertencia a Itabaiana/SE.
Ainda nos acabamentos da escultura e da estrutura em seu entorno.
iDisponível em: http://ribeiropolis.se.gov.br/ConhecaRibeiropolis.html Acesso em nov. De 2015.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Estudo Dirigido: análise do texto Parte I - "A sociedade dos indivíduos" (1994), de Norbert Elias, tomando por base o filme: "O fabuloso destino de Amelie Poulain"





Inicialmente pergunta-se, através das palavras de Elias (1994):

Como é possível (...) que a existência simultânea de muitas pessoas, sua vida comum, seus atos recíprocos, a totalidade de suas relações mútuas dêem origem a algo que nenhum dos indivíduos, considerado isoladamente, tencionou ou promoveu, algo de que ele faz parte, querendo ou não, uma estrutura de indivíduos interdependentes, uma sociedade (p. 19).
  1. Então se indaga: tal frase se aplica ao filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain"? Responda e explique.
Como resposta, podemos afirmar que sim; tal frase se aplica ao enredo que é mostrado no filme, e para justificar nossa resposta, passamos a expor algumas cenas do filme e certas considerações de Elias (1994).
É importante dizer que o filme é uma produção francesa e as cenas acontecem em meio as inconfundíveis ruas de Paris, em pontos turísticos conhecidos mundialmente e historicamente bem visitados, logo locais clássicos como: a igreja do Sagrado Coração, por exemplo, mas também e principalmente dentro dos famosos cafés parisienses, acompanhados com culinária local e nas estações de metrô. É uma produção de Jean-Pierre Jounet e se passa nos idos de 1973.
A principal personagem é Amelie Poulain, uma menina frágil e pouco amada por seus pais que a protegem demais, a ponto de mantê-la ausente da sociedade geral. Segundo Elias (1994) “a sociedade é uma porção de pessoas juntas” (p. 13). O fato de afirmar que a menina, aos seis anos mantinha-se ausente da sociedade, dá-se numa dimensão teórica, especialmente se analisamos as palavras do nobre sociólogo polonês mais adiante, isto porque Amelie, de uma forma ou de outra, mantinha contato com seus pais e estes, por sua vez, mantinham contatos sociais, através de suas funções de cidadãos franceses e de suas profissões sociais. Amelie, portanto, em sua educação, recebia as influências da sociedade, mesmo que pouco contato obtivesse, que amigos não cultivasse, parecendo apenas um peixinho de aquário. Porque, de acordo com Elias (1994) “não há dúvida de que cada ser humano é criado por outros que existiam antes dele; sem dúvida, ele cresce e vive como parte de uma associação de pessoas, de um todo social – seja ele qual for” (p. 19).
A princípio o filme mostra um determinado encadeamento de situações vividas por seres humanos, ao mesmo tempo e em diversos locais da realidade macro. Um indício de que todas as nossas atitudes individuais estão sim cortadas por uma influência maior, orientada pela sociedade.  Percebe-se que: “cada pessoa singular está realmente presa; está presa por viver em permanente dependência funcional de outras; ela é um elo nas cadeias que ligam outras pessoas, assim como todas as demais, direta ou indiretamente, são elos nas cadeias que a prendem” (ELIAS, 1994, p. 23).
Ainda mais no caso da personagem, quando inicia uma atividade para resolver os problemas dos outros, fazendo jus a esta perfeita inter-relação de indivíduos. Ela demonstra, em suas atitudes e ações que, muitas vezes, a história dos outros “se encaixa como uma luva” na história da nossa vida pessoal e que, a identidade dos outros pode sim explicar nossa própria existência, isto é, tornando-a uma identidade eu-nós[1], o que significa absorver sua compreensão com mais sentido. Assim é comum que, tal como Amelie, que buscava resolver os problemas dos outros e acabava por esquecer os seus, as demais pessoas busquem decidir as confusões dos outros e esquecer as suas, mas isto ocorre somente no campo da imaginação, da teoria, porque, na prática, quando buscamos elucidar situações de outrem, acabamos por estar efetivando nossas proporias resoluções, uma vez que estamos totalmente ligados aos outros, e especialmente a sociedade[2] como um todo.
Muitas vezes a personagem se deteve envolvida nas situações requisitadas pelos outros, seus próximos ou simplesmente desconhecidos, na tentativa de elucidar mistérios, renovar memórias ou simplesmente ver pessoas felizes, ou ainda impondo castigos sobre aqueles que maltratavam aos inocentes, em sua concepção. Porém, na maioria das vezes, Amelie mostrava-se incapaz de resolver suas próprias angústias e seus problemas. E ela conseguia perfeitamente se envolver e adentrar, mesmo que imperceptivelmente, na vida dos outros, inclusive dos desconhecidos, somente porque: “cada pessoa que passa por outra, como estranhos aparentemente desvinculados na rua, está ligada a outras por laços invisíveis, sejam estes laços de trabalho e propriedade, sejam de instintos e afetos” (ELIAS, 1994, p. 22).
Depois de tudo dito, podemos concluir que Amelie era uma jovem extremamente normal, que expunha o substrato guardado na lembrança de tudo que havia feito ou do que incidiu sobre si, na infância e na adolescência. Desde as manias disformes de seus pais até os conceitos por eles difundidos e por ela apreendidos. Enfim, a jovem Amelie, naquelas suas atitudes, e de acordo com Elias (1994) era nada mais que a continuidade do processo de desenvolvimento (...) para a identidade de uma pessoa, que ocorre no decorrer de um processo, que se usa das formas anteriores, para a formação de uma personalidade posterior.

REFERÊNCIA

ELIAS, Norbert. Parte I: A Sociedade dos Indivíduos (1939). In: A Sociedade dos Indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1994. pp. 13-16/ 151-165.

Filme: “O fabuloso destino de Amelie Poulain, de Jean-Pierre Jounet.
Imagem retirada de: www.casasbahia.com.br
Norbert Elias. Imagem retirada de: www.travessa.com.br
Imagem copiada de: lounge.obviousmag.org

[1] Sobre identidade eu-nós, Elias (1994) diz que se trata de: “parte integrante do habitus social de uma pessoa e, como tal, está aberta à individualização. Esta identidade representa a resposta à pergunta “Quem sou eu?” como ser social e individual” (p. 151).
[2] Ainda sobre sociedade, Elias (1994) diz que “ela só existe porque existe um grande número de pessoas, só continua a funcionar porque muitas pessoas, isoladamente, querem e fazem certas coisas, e no entanto sua estrutura e suas grandes transformações históricas independem, claramente, das intenções de qualquer pessoa em particular” (p. 13).

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Colina do Horto - Juazeiro do Norte/CE

“O Geossítio Colina do Horto está a 3 km da cidade de Juazeiro do Norte/CE e compreende a estátua do Padre Cícero, o Museu Vivo do Padre Cícero, a Igreja do Senhor Bom Jesus do Horto e a trilha de acesso ao Santo Sepulcro (2.650 m). O Santo Sepulcro é o local onde foi enterrado um dos beatos que viveram na época do Padre Cícero e apresenta duas capelinhas, onde os romeiros acendem velas e fazem suas preces”.
“A Colina do Horto é o acidente geográfico mais importante do município de Juazeiro do Norte e apresenta-se localizado inteiramente na zona urbana. Oferece uma visão panorâmica, podendo-se avistar todo o Vale do Cariri e a Chapada do Araripe (...)”.

HISTÓRIA
“Para a compreensão do Geossítio Colina do Horto deve ser considerado o processo histórico-religioso que envolve o lugar. A Colina do Horto ganhou destaque na História de Juazeiro do Norte em virtude da presença do Padre Cícero Romão Batista, maior figura política e religiosa no final do século XIX e início do século XX (...). Ali, pode ser visto, já de longe, uma monumental estátua do Padre Cícero, de 27 metros de altura, erguida em 1969, portanto 35 anos depois da morte do Padre. No Horto, encontram-se testemunhos históricos edificados, como restos de um muro de batalha, da chamada Sedição de Juazeiro, de 1914, casas e ermidas de beatos, e uma capela com edificação anexa, que atualmente serve como Museu Vivo do Padre Cícero. Neste museu, podem ser vistas cenas de vida do Padre Cícero e um grande número de 'ex-votos', ou também chamados 'milagres', que são objetos depositados pelos romeiros em virtude de um pedido ou agradecimento de uma promessa. A trilha de Santo Sepulcro é cheia de lugares considerados encantados, de pedras com atribuições mágicas e religiosas, marcadas pela outrora presença de beatos e do próprio Padre Cícero. São lembrados os preceitos ecológicos do Padre Cícero, pequenas frases de conselhos e recomendação da preservação do ecossistema da Caatinga e da floresta, através das quais o Padre Cícero se revela um pioneiro em assuntos ambientalistas”.

ASPECTOS GEOLÓGICOS
“O Geossítio Colina do Horto compreende as rochas mais antigas da região do Cariri cearense, originadas no interior da Terra, há aproximadamente 650 milhões de anos. Essas rochas são o substrato das rochas sedimentares que constituem a Bacia do Araripe, tendo ainda fornecido grande parte dos seus sedimentos (...)”.

ROMARIAS
“(...) as romarias, ainda hoje, são a maior atratividade cultural e religiosa da cidade. No calendário estão relacionadas às três maiores romarias do Juazeiro. A primeira delas é a romaria de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade, celebrada com novena campal e procissões diversas, de caminhões, de carroças e a grande procissão do dia da festa, com presença em massa do povo. É a romaria mais antiga e tradicional da cidade, tendo se originado pela festa da Padroeira da Igreja Matriz, hoje Santuário e Basílica. A segunda é a romaria de Finados, festejada em novembro e realizada em função da memória do fundador da cidade, Padre Cícero Romão Batista. Um dos pontos de convergência mais significativos dessa romaria é a Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em cujo interior estão sepultados os restos do Padre Cícero. Ultimamente, foi adotada a denominação de Romaria da Esperança, pela forte influência do trabalho missionário dos Franciscanos. E a terceira, bastante comemorada, a de Nossa Senhora das Candeias, romaria que fecha o ciclo. Esta tem como ponto alto a realização da Procissão das Candeias, em homenagem à Nossa Senhora. Um extenso contingente de fiéis sai de um lugar determinado, diverso a cada ano, conduzindo tochas de luz (velas). À noite, a grande massa humana, formada por romeiros de todos os estados nordestinos e pelo povo da cidade, proporciona um bonito espetáculo de fé e luminosidade, ao som do hino que tem como verso principal 'Valei-me, meu Padim Ciço e a Mãe de Deus das Candeias”. O ponto de chegada da procissão é a Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores'".
“(...) o Horto se tornou o lugar de maior destaque (...), sendo mais visitado pela manhã, quando os romeiros madrugam pela Rua Caminho do Horto, em penitência. Os fiéis visitam também o Santo Sepulcro, percorrendo ao todo mais de 6 km como num formigueiro humano. No caminho do Santo Sepulcro, misturam-se a fé e o espírito de penitência, com o gosto pela natureza. A multidão que sobe o Horto tem como sua atração principal a estátua do Padre Cícero e as lembranças da história do Patriarca e dos grandes desafios que Juazeiro viveu ao longo de cem anos[1]”.


[1] Disponível em: http://geoparkararipe.org.br/colina-do-horto/ Acesso em set. 2015.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores, Juazeiro do Norte/CE

De acordo com Renato Casimiro, “a capelinha dos tempos do Pe. Cícero Romão Batista ergue-se, hoje, imponente em nossos corações, transmutada por esta dignidade de Basílica Menor, que não deve ser vista apenas como ato generoso, ou formal, da hierarquia. Ela é, antes disto, uma conquista deste povo, fiel a uma devoção à nossa Mãe das Dores, o pleno socorro espiritual de sua gente. Juazeiro é Basílica Menor, designação com a qual poderá passar a se chamar, daqui por diante, de Basílica Menor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores. No Brasil existem, atualmente, 50 Basílicas Menores. A primeira foi consagrada, há 100 anos, a Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil), e está em Aparecida (SP). A última foi a Basílica Menor do Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), em 2006. No Estado do Ceará, Juazeiro do Norte será a segunda concessão pontifícia. Anteriormente foi elevado o Santuário de São Francisco das Chagas (Canindé). É esta a primeira oportunidade em que uma Basílica no Brasil será dedicada em honra de Nossa Senhora das Dores. Não se pode deixar de lembrar que esta concessão é parte de uma longa caminhada deste povo. Não só na objetividade de questões muito práticas, formuladas para uma pauta de relacionamento com a Sé de Roma, como a iniciativa de reabilitação, com a reabertura dos arquivos e de um processo instaurado a partir do século 19, e que vivem necessitando de atenções para as frequentes, por vezes oportunas, ou inoportunas, insinuações de processos de beatificação ou canonização de Pe. Cícero Romão Batista. Mas, antes de qualquer sentimento mais imediato, a elevação do Santuário à condição de Basílica Menor, realizada em 15 de setembro de 2008, é uma grande oportunidade para uma maior aproximação da Igreja com a grande nação romeira. Como o aparecimento das Basílicas evocou o fim das terríveis perseguições movidas contra os cristãos, não é menos verdadeiro que esta nova, à sombra de generosos juazeiros seja também o refúgio e a fortaleza, centro de encontro e de comunhão fraterna entre os que acreditam na expansão e na grandeza do Reino[1]”.
Grande pátio em frente a Basílica.
O sofrimento da Mãe das Dores.
A fé do povo sertanejo é inabalável e invencível!