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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Resumo: Trabalho e a Profissão do Assistente Social, de Marilda Villela Iamamoto

1.    A prática como trabalho e a inserção do Assistente Social em processos de trabalho.
Um dos problemas envolvidos na questão de formular o currículo mínimo para o Assistente Social, está em elaborar uma base que constitua o Serviço Social na sociedade. Fundamentar o currículo do Assistente Social é uma tarefa que deve ser feita a partir de uma apreensão de duplo ângulo: abordar a profissão como resultante da história ou como tendo se desenvolvido a partir das forças sectárias (relativo à seita). Não devemos, esquecer, no entanto, os componentes envolvidos nesta profissão: os profissionais que trazem consigo, muitos outros conhecimentos e que devem encontrar meios de utilizá-los dentro de sua profissão. Além disso, deve se considerar a influência marcante da história da sociedade, enfim, todas as partes são formadoras do todo. 
É importantíssimo destacar que o Assistente Social trabalha com pessoas, com a sociedade, seja a partir de um âmbito público ou privado.
Mais importante do que perceber as desigualdades sociais que aí estão, é decifrar a gênese das desigualdades sociais, isto é, perceber que a natureza das desigualdades está sendo resultante de tantas outras precariedades e injustiças, quer dizer, advindas de uma série de problemas sociais, dentre eles concentração de renda, impunidade pública, falta de compromisso político e muito mais.
Querendo sair um pouco da concepção alienante de trabalho, alguns teóricos veem que é melhor definir esta profissão como uma prática na sociedade, uma “práxis social”, na tentativa de mediatizar a relação entre o exercício do Serviço Social e a prática da sociedade. Mas, a definição de trabalho ainda norteia um pouco, também, a concepção do Assistente Social, sendo este entendido como atividade fundamental do homem.
É bom salientar a importância de o profissional de Assistência Social estar sempre inserido no contexto dos debates acerca das necessidades e dos anseios do cenário social, “objeto” de trabalho dos Assistentes e tantos outros que eventualmente atuem nesta área.

2.    Rumos ético-políticos do trabalho profissional.
O maior desafio é descobrir os rumos que a profissão deverá seguir, acompanhando as mudanças da atualidade, que venham a atender à sociedade e aos mecanismos que atuam na área social. Isto é, colocar o Serviço Social na dinâmica entre a Sociedade Civil e o Estado. 
Já que apreender o contexto social é uma tarefa de apreender os sujeitos que nela vivenciam e que dela são resultados, é preciso, então, que o Assistente Social conheça de perto a realidade social para não tornar-se um alheio, alienado aos seus sujeitos de trabalho e por que não dizer de estudo? Pois, intervir na realidade social dos indivíduos requer conhecê-los e saber onde se encontra a raiz de seus problemas.
É necessário que os preceitos éticos do Código de Ética sejam encarados não somente como períodos teóricos e abstratos, isto é, conceitos idealizadores e irreais, é preciso que o encaremos como resultantes de um estudo a partir do real, do concreto e que eles servem para mediar e assessorar a prática deste profissional com a maior seriedade possível e a transparência que se requer em qualquer outra área de atuação.
Redirecionar as devidas responsabilidades do Assistente Social e a correta atuação dele significa acompanhar de perto as transformações socioeconômicas e encontrar-se centrado numa dimensão concreta, num retalho amplo da realidade, que dê total respaldo a boa atuação e consequentemente a satisfatória assistência, merecida a todos.

3.    O redirecionamento da profissão: o mercado e as condições de trabalho.
A autora mostra que pesquisas veem mapeando a quantidade de profissionais e suas respectivas áreas de atuação. Sendo que é o setor publico quem mais emprega, na sequência estadual e municipal, respectivamente, sendo que a área de saúde é quem mais emprega, principalmente depois da implantação do SUS. Mesmo havendo esse interesse pela atuação desses profissionais, há também, a forte precarização e a redução dos concursos públicos, dentre outros tantos incentivos que são assegurados por lei e não estão sendo cumpridos. 
Ganharam ênfase nas Políticas Sociais os mecanismos que vão desde a questão dos Conselhos de Saúde até a Assistência Social de Crianças, Adolescentes e Idosos. Outros meios de trabalho que deram bastante importância aos assistentes sociais, foram a criação dos Conselhos Municipais, que são diversos e abrangem uma infinidade de movimentos e mobilizações sociais.
A autora nos chama a atenção para a gestão social pública, ou gerência publica, dando total destaque ao profissionalismo qualitativo, isto é, a qualificação sobre o diploma, onde envolve vários profissionais da área de humanas, empenhados em tornar o Assistente Social um profissional como outro qualquer.
Todo o conhecimento das Políticas Públicas e suas exigências e trâmites, faz com que seja melhorado o atendimento ao cidadão e deste modo contribua, não só com o desenvolvimento humano, mas também com o econômico. E outro ponto importante, a transparência dos serviços públicos.
É chamada a nossa atenção no que diz respeito à integração entre sociedade civil e organizações não governamentais em parceria com o Estado, formulando programas e projetos para as áreas que vão desde a Habitação familiar até a Violência na família. Atualmente, também, surgem os interesses de Filantropia, onde o empresariado procura se inserir no campo da assistência social, querendo assim, se redimir de outras responsabilidades fiscais, dentre outros benefícios. Quando sabemos que em troca eles querem que seus produtos sejam vistos com bons olhos pela sociedade e deste modo, haja um maior consumo, enfim somente o lucro é mais interessante. Um exemplo “fantástico” que nos é dado é o da Fundação Abrinq, que comporta 2.500 empresas “Amigas da Criança”, assim elas investem na qualidade das crianças da mesma forma que investe na qualidade dos produtos que vão ao mercado. Dentre elas citemos: a Fundação Bradesco e a Natura. Outras trilham pela preservação do meio ecológico, é o caso da empresa Boticário, mas em todos os casos e “preocupações” se trata, inicialmente, de aplicar uma “injeção” de Marketing em seus produtos e adquirir bem mais faturamentos. No ápice, o empresariado busca mesmo é o aumento da eficiência, da eficácia e da rentabilidade de suas empresas. Deste modo, sempre sobressai o fator privado sobre o publico e continua a lógica subordinante; noutra perspectiva, há a seleção de áreas beneficiadas e de empresas que “apostam” mais.
Sem sombra de dúvidas, a área de Recursos Humanos representa, atualmente, um amplo campo de atuação do profissional da assistência. São requisitados para atuar nos programas de qualidade de vida no trabalho, passando por saúde e prevenção de acidentes do trabalhador, aí se encaminha para a questão do gerenciamento participativo e desemboca no sindicalismo e, deste modo, “satisfaz” a todos, “gregos e troianos”. E para tudo isso e muito mais, é exigido do Assistente Social bastante conhecimento, reciclagens e capacitações que atendam a necessidade da vida social, mas também a exigência dos setores contratantes.

4.    Em busca da consolidação do projeto ético-político do serviço Social na contemporaneidade.
É evidente que a profissão perdeu muito do seu caráter mais humanitário e, está hoje, envolvida na idolatria da moeda, no fetiche do consumo e no individualismo que a época pede, aliás, poucas são as coisas que não se deixam levar pelas novidades e exigências da realidade que se transforma a cada segundo. Por isso, os princípios éticos e políticos, humanos e mais solidários estão um pouco afastados desta e de tantas outras profissões que cercam a sociedade humana. A autora coloca a grande importância de remarmos contra essas marés e andarmos no contra vento, na tentativa de recuperarmos um pouco do que foi perdido: a intenção desinteressada de criar boas condições de vida, independente do “apoio” de uma ONG, de uma Empresa, ou qualquer outro organismo; é preciso que façamos e cumpramos nossas responsabilidades em nome do que pede o profissionalismo e o nosso código de ética, que valoriza, indistintamente, o ser humano, o lado mais humano da vida. 
Devemos ter em mente que a luta constante deve ser contra as formas de preconceito, a discriminação e as exclusões, buscando a integração, o respeito às diferenças e a igualdade acima de tudo. É extremamente necessário, então, que conheçamos a realidade “nua e crua”, como se diz, para que possamos agir com legitimidade e, para isso, devemos nos debruçar nas pesquisas sérias e bem embasadas em dados reais e concretos, conhecidos e vistos, não apenas estatística e números, mas necessariamente fatos e casos, para podermos efetivar a superação do que mencionamos anteriormente.
Devemos, no entanto, junto com a área política competente e a sociedade, lutar pela plenitude da cidadania e da democracia, com ênfase de respeito ao social e ao cultural em favor dos interesses coletivos, familiares, enfim que façam interagir melhor Estado e Sociedade. É muito importante estreitar os laços entre o Assistente Social é o Sujeito Humano que constitui seu fim, enquanto profissional.
Finalmente, busquemos a perfeição. Para muitos ela é impossível, mas o empenho para chegar a ela representa a vontade explicita de querer sempre buscar o melhor e, deste modo, consigamos alcançar algo bastante perto da perfeição, algo que causa satisfação, justiça e concessão de direitos.
Imagem copiada de: comissaodaverdadejf.blogspot.com
Imagem copiada de: pt.slideshare.net
REFERÊNCIA

IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: Trabalho e Formação Profissional. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2000.