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domingo, 6 de março de 2016

Poetize 2016 - Concurso Nacional Novos Poetas: 10 primeiros colocados da Antologia Poética


A 17a edição do Prêmio Poetize (2016) foi publicada em grande estilo, através de uma belíssima Antologia Poética, ou, nas palavras do organizador e apresentador nesta edição podemos encontrar...



Não só a poesia do eu (…), mas também, uma forte presença da poesia social, com temáticas contemporâneas como cidades, tecnologia e meio ambiente, tornam a obra, um registro da dinâmica da poesia e também de aspirações sociais. A partir da ótica do poeta, temáticas e estilos tão abrangentes que encontram empatia no leitor (RAMOS, 2016, p. 7)1.



Pouco mais de 200 poesias compõem esta rica Antologia, com destaque para os 10 primeiros colocados, os quais destacaremos abaixo:

***

1a Colocação:


Gineceu

Roger José (Alfenas/MG)

Estávamos juntos, amigos, tão meninos,
Porém te esposar eu sonhava, sem malícia;
Eis que, notando teu clamar tão feminino,
Deixei me transportar nesse ar'áureo em delícia.


E devagar, em fusão descortinamo-nos;
Deveras singular, jamais houve malícia;
A flor pueril deste Amor de nós diáfanos
Finca raízes neste bobo sonetista.


Quanto em teu colo, eu me transcendo cem por cento;
E flamejante, sinto o peito em fúria ígnea;
Tu me transportas a uma plêiade ferina:


E a poetar esse amor probo, eu me apresento;
Inseguro em sonetar-te, Sublime Insígnia;
Um Gineceu, ora mulher, ora menina.
***

2a Colocação:


labirinto d'alma

Roseli de Mello (São Sebastião do Caí/RS)

na densa névoa que me envolve turva
cobre o lago profundo, pesadelo meu.
onde a razão veloz se curva
a realidade algoz é livro que já se leu.


espessa e fria, intensa a me indagar
de minha lucidez que jaz o que restou?
e meu desejo louco a procurar
o que me tortura eu que ainda sou.


uma a uma, desconstruindo o rosto
desvelando o meu eu, nudez que abala
que em teu fantasma saboreia o corpo
crucifica-me insensatez vassala!


na imensidão do nada piso em vão errante
esmagando o caos, desenterrando o morto.
labirinto d'alma sai de meu semblante!
mostra teu caminho, rota pro meu porto.


despedaçado corpo que se perdeu no espelho
transfigurado e mudo, estranha em teu discurso,
a camuflar-se amado, parafina e selo
na carta em mão vazia, em vão, seguindo o curso.


a fala no vazio da fenda da alma nua, escorre.
fecha-se na clausura, demanda liberdade
e o gozo então sonhado espera, em vão, e morre.
soterrado mistério agora, então verdade.

***

3a Colocação:


Os jeitos do amor

Daniel Rolim Rocha (Rio de Janeiro/RJ)

Já havia dito e escrito:
“Não mais lhe rabiscaria poemas”.
Mas esta tarde chuvosa,
dando aleluias no sábado,
infiltrou no meio dia
a gotejar esta memória.


Era Sexta Feira da Paixão.
Estavas na minha frente,
linda,
caminhando na procissão.
Choravas mais que o normal.


Eu lutando contra vícios,
como sigo até hoje.


O Cristo segue deitado,
sustentado por mãos calejadas.
O amor não cansa de exibir suas chagas santas.


Queria pegar na tua mão,
fechar os olhos juntos.
Os fogos, as velas, o terço,
a ladainha, a Via Sacra recitada.
Tudo em volta
e você no centro de tudo.
O resto, moldura.
O tempo, suspenso.



O amor levanta com dificuldades.
O amor e seus joelhos rotos.
O amor deita vagarosamente em seu colo
feito a Pietá.


A procissão estanca para
contemplar a cena.


Uma pintura.


No canto do quadro,
lá no fundo,
sou um diabinho acenando
com a bunda de fora.


Dentre os quatorze passos
nunca soube onde pisar.


E hoje só me resta este aleluia
num sábado chuvoso...
e esta memória a gotejar.

***

4a Colocação:


Nina

Clóvis Filho – Clovinhos (Macaúbas/BA)

A sorte surda, cega e manca
Tropeçou de frente dos teus olhos de margarida frita,
Nina,
E pela distância próxima que se fez,
Rente ao inesperado cálice de outra bebida feito em uva,
Caiu por sobre mim também, embriagada e muda,
Perguntando com malabarismos do flutuante dente-de-leão
Sobre a minha clareza refinada
Na ressaca dos tormentos, sem saber o porquê
Que nunca ainda tinha repousado
No meu peito feito a galope
na qual eu cavalgava surpreso):
A resposta apareceu num amor sorridente
Atrás do cata-vento da torre
Desenhado à trevo verde de quatro folhas
Vestida de flores em botão no abotoado dum abraço
Que nos cobriu por dentro, calma e,
Fazendo cócegas com as falanges dobrando a graça.
Na ventura das palavras, as poesias,
Veredam na semelhança no nossa caminho errado
À passos firmes, tortos, encruzilhados,
Deste momento que escrevemos
De tantos pensamentos desavergonhados:
Nus coubemos um no outro.

***

5a Colocação:

Instante

Vitória Zanotti Nervo (São Leopoldo/RS)

Eis que ela surge na urgência do segundo
Insólito que se faz de pontualidade premente
Quanto, ela própria, sorri meramente;
E torna a face adornada do belo oriundo.


Mostra-se toda magnificente, meio fecundo;
E tresmalha-se da gataria a felina insolente
Que goza da estrondosa liberdade emergente,
Do segurar em sua palma da mão o mundo.


Ela desponta urgentemente um sentimento
Invisível como brilhante aurora,
Silencioso como furiosa rajada de vento.


Faz-me então ilustre e solene no agora
O fervor que me causa perfeito contento,
E tem-se inteiro delirante por ora.
***

6a Colocação:


Oceano

Bruno Everton da Silva Bambirra Alves (Almirante Tamandaré/PR)

Já observou a noite afora?
Mergulhou em seus segredos?
Encarou o ciclope que observa com seu olho de prata?
Beijou a face da dama com vestidos de pérolas?


Navegante, jovem
De águas rasas e doces
Conheça a curva do rio
Desmembre-se em delta
Encontre seu mar.


Beba do oceano
Dos mistérios
Da deriva.


Escute o ranger do convés
De seus pés
Esqueça de casa
O mar virou lar.

***

7a Colocação:


Ponteiro da Vida

Marcílio Professa (Jardim Botânico/DF)

No compasso sem ritmo
da música das horas
vagam kilobytes em kilômetros
pesando mais a cada passo


Debanda larga mente pelo caminho
deixa cair sonhos e desejos e, downloads
escondem em seu bojo nova pasta
monturos de vida em arquivos.
***

8a Colocação:


Pacto d'aurora

Marconi Araújo (Campina Grande/PB)

Firmei pacto construído nas estrelas
Percebi-as ao meu sensibilizar
Apalpar o coração, profetizar
As canções que tanto fiz por merecê-las.


E fui fundo, tão profundo, sem contê-las
E os meus sonhos, tão medonhos, quis sondar
Letras vivas que deságuam no além-mar
Pela paz e pelo bem quis percebê-las...


O amanhã é fruto desse testamento
Um contrato a reluzir o sentimento
No firmamento, aqui, em todo lugar...


O tempo urge, a vida urge, é agora
Neste pacto estonteante só vigora
Uma aurora a perfectibilizar!
***

9a Colocação:


Vandalirismo

Higor Nathan Rodrigues Machado (São Paulo/SP)

Seu guarda, eu me rendo!
Pode me jogar na cadeia
por porte ilegal de métrica
e tráfico organizado de verso.


Seu guarda, eu confesso.
No meu carro, quilos e quilos de Rimbaud,
três Pessoas calibre .38
uma AK Clarice Lispector
e tem até Lança-Drummond.


No parta malas, seu guarda, nada de bom.
Dois corpos ensanguentados
que me tiraram por ser poeta
e eu não sou Caeiro de levar isso pra casa.
Um Machado em cada mão, desci logo a porrada
e fechei logo o assunto, um Leminski em cada testa.

***

10a Colocação:


Silêncio musicado

Gujo Teixeira (Lavras do Sul/RS)

Hoje o murmúrio das palavras
calou, como de costume
com flores e com perfumes
das primaveras colhidas...
Encantou tardes compridas
como fez antigamente
para ser luz, simplesmente
e se encantar frente à vida...


Aos que te escutam por mim
sem pretensão de cantá-lo
é simples, tudo o que falo
da conquista, ao sacrifício.
Somos irmãos neste ofício
muito além do que sentimos...
Pois tudo que construímos
teve algum fim, sem início...


Senhor das palavras claras
que sempre sabe o que diz...
Quisera ser o aprendiz
do teu silêncio quebrado!
Benzi meu verso rimado
com teu sereno, no pasto
e fui deixando meu rastro
onde te vi, musicado...


Escrevo a terra e assino
meu nome de próprio punho
e em silêncio, testemunho
um tempo, um meio, um fim.
Sei que distante, assim
me perco em noites escuras...
Por não saber das lonjuras
andei distante de mim...


Hoje componho silêncios
com notas de bem querer
harmonizando meu ser
com tua palavra que acalma
carrego um mapa na palma
aberta da minha mão
que te oferta em razão
de te escutar com a alma...
***


Obs. de minha parte, publiquei nesta Antologia a poesiaPresente de Natal”.
_____________________
1Para consulta acesse: http://www.premiopoetize.com.br/
Ou a referência da Antologia: RAMOS, Isaac Almeida (org.). Antologia Poética, Prêmio Poetize 2016. Série Novos Poetas no 17. Edição fev. de 2016.