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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Fichamento: Clássicos do Serviço Social: Jane Addams, Mary Richmond e Gordon Hamilton

JANE ADDAMS (1860-1935)
  • Jane quis estudar Medicina, pensando ser a melhor maneira de ajudar os pobres, mas uma doença a forçou a abandonar os estudos;
  • Sobre Hull House: na Inglaterra era chamada de residência social, enquanto nos EUA adotou-se o nome de Centro de Vizinhança;
  • Tinha como objetivo integrar os residentes que chegavam à comunidade e os que lá viviam. Os profissionais conheciam as condições de vida da vizinhança no decorrer do dia-a-dia, assim como as dificuldades de trabalho, os que viviam nas ruas e vielas em péssimas condições, além da influência industrial na vida de todos;
  • Jane insistia: uma mulher trabalhando numa fábrica é um ser humano, da mesma forma que a prostituta não deixa de ser mulher;
  • Tinha preocupação com o ambiente, assim protestou junto às autoridades contra a falta de remoção do lixo nas ruas, primeiro passo para obter um ambiente melhor;
  • O que ela e seus colaboradores queriam era conscientizar os residentes e a população e leva-los a obter do governo os serviços que lhe competia manter e a organizar por si os demais necessários ao bem estar da sociedade;
  • Ela achava que a Hull House não poderia ser uma voz isolada no cenário social de Chicago e dos EUA.

Jane Addams.
Disponível em: spartacus-educational.com
O pensamento social de Jane Addams:


  • A situação da classe operária preocupava Hull House e, segundo Jane, este estado de coisas era causado pela falta de organização da classe;
  • Ela tinha uma fé inabalável na dignidade humana, da igualdade de todos e no senso inato de colaboração da espécie humana. Achava que a conscientização das situações e dos problemas era a mola para faze as pessoas agirem e chegar a esta igualdade, compreensão mútua e colaboração;
  • O conhecimento recíproco das classes parecia indispensável para uma sociedade melhor. O isolamento (das classes) pode ser considerado uma deficiência na vida política, social e comercial, mas também na vida industrial, que levava a apatia e ao desânimo, é um crime social causando sofrimento e desintegração moral;
  • O movimento trabalhista, segundo ela, pode ser definido como os esforços dos operários de qualquer indústria, para obter uma distribuição eqüitativa do produto e uma melhor existência para a classe;
  • Quando o movimento trabalhista estiver maduro, os homens não serão mais divididos – capitalistas e proletários – exploradores e explorados.
  • Os Residentes insistem sobre a unidade da vida para mostrar o que há de verdadeiro na comunidade e se possível trabalhar para o melhoramento, não apenas de um grupo de pessoas, ou de uma classe, mas para o bem de todos, pois nenhum segmento de sociedade pode viver separado dos outros;

Duas correntes de pensamento:

  • Nos EUA daquela época: o Movimento das Charity Organization Societies, as C.O.S. e o dos Centros de Vizinhança;
  • Ambos os movimentos reuniam pessoas idealistas, desejosas de ajudar ao próximo;
  • A COS realizava ações de caráter privado;
  • Essas associações não ajudavam quem era socorrido por serviços públicos ou por obras privadas independentes;
  • Os princípios que orientavam as COS eram os seguintes: 1, conceder o que era imediatamente necessário; 2, conceder o que não levaria a um abuso; 3, considerar os auxílios em pequena quantidade (imediata); 4, em qualidade e quantidade inferior ao que se pode adquirir pelo trabalho; 5, Conceder o auxilio no momento oportuno e não prolongá-lo;
  • Além do melhoramento da habitação, da higiene, construção de banhos públicos, promoção de estadas em zonas rurais, colônias de férias para as escolas e luta contra a falsificação de leite. Eram serviços individualizados para as pessoas ou famílias;
  • Diz Arthur Fink: a caridade privada tinha incorporado o individualismo dos empresários que enriquecem com a expansão econômica;
  • Esperava-se acabar com os antagonismos entre as obras sociais e a distinção entre classes, religiões e raças;
  • A ideia que fundamenta toda a ação da COS era que a pobreza é o sinal de uma deficiência de caráter do cliente e pedia, portanto, o máximo de influência pessoal do doador sobre o assistido;
  • O que distinguia o serviço social daquele tempo era: a preocupação com o indivíduo per si; concentração no grupo de pessoas como unidade de trabalho; desenvolvimento de recursos para satisfazer as necessidades humanas, o que mais tarde foi chamado de serviço social de caso;
  • As COS procuravam eximir a ordem social de qualquer responsabilidade para com as condições sociais e reduzia os assistidos a posições de culpados pela situação;
  • Os trabalhadores sociais, profissionais ou não, dos centros de Vizinhança tinham idéias diferentes: interessavam-se pelos movimentos populares, políticos, que tinham finalidades sociais e apoiavam um dos partidos políticos – o Partido Progressista – cuja plataforma de justiça social incluía várias reivindicações;
  • Era necessária uma reforma no ambiente, uma atuação junto à opinião pública e aos poderes legislativos e administrativos do governo, e uma organização de classe operária;
  • Para as COS, o serviço social devia se ocupar das necessidades sociais constatadas, ajudar os assistidos a minorar ou remediar seus males e ajustarem-se à situação;
  • Não estavam interessados em reformar o ambiente, pois pensavam que este não tinha muita importância para a erradicação da pobreza: o ambiente melhoraria à medida que os assistidos melhorassem de vida;
  • Os Residentes identificavam os problemas sociais com o ambiente, assim queriam um melhoramento social. Os trabalhadores da COS visam os problemas como deficiências pessoais e enfatizam a necessidade de apoio moral, pra alcançar um programa;
  • Jane tinha horror a tudo que cheirava a caridade e Mary criticava abertamente os métodos empregados pelos Residentes;
  • Jane mostrou a diferença entre os trabalhos dos residentes e os trabalhos dos visitadores. Mary respondeu comparando os residentes às antigas missões, que prejudicavam a caridade, inspirado-se em teorias de trabalhadores;
  • Jane revogou mais tarde: as preocupações que cercam a concessão de auxílios e, conseqüentemente demora em concedê-los parecem atos de pessoas egoístas;
  • E Mary: a perfeição do método caritativo contrasta com as atitudes dos reformadores, que querem fazer tudo rapidamente e ao mesmo tempo;
  • A luta e a rivalidade entre duas mulheres a quem o serviço social tanto deve, só pode ser atribuída a uma diferença de personalidade e de experiências profissionais, ambas tinham o mesmo ideal, mas tinham suas idéias particulares de como consegui-lo;
  • Esta é a luta daquelas que desejam mudar as pessoas e mudar o ambiente, que continua até hoje;
  • Jane foi realmente um símbolo: era inteligente, possuía educação superior e incontestáveis qualidades de liderança;
  • Jane introduzia nos trabalhos sociais uma nova idéia: não era suficiente investigar a situação dos necessitados: era necessário conhecer o modo de viver e de pensar para compreender a situação e as causas dos males sociais. Era preciso conviver com as classes pobres e a residência era o meio para conseguir este intento;
  • Não era apenas conhecer e compreender as classes trabalhadoras para tomar as medidas necessárias à solução dos problemas: era imprescindível associar os interessados nesses empreendimentos. Partia-se da idéia que, embora analfabetos e ignorantes, os trabalhadores também tinham idéias e sabiam como poderiam ser resolvidas as dificuldades e assim leva-los a cooperar nos programas sociais. Era uma visão nova para a época;
  • A filosofia de Jane Addams era impregnada de humanismo que cercou sua infância e adolescência e que foi ampliada pelas novas idéias socialistas que já circulavam na Europa e nos EUA. Ela queria motivar as classes trabalhadoras para a ação e tomou a dianteira com suas amigas da Hull House. Esta visão ampla de ação social chocava-se com a visão também social e mais cientificamente orientada de Mary Richmond;



MARY RICHMOND (1861-1928)

  • Marcou a evolução do serviço social;
  • O ambiente onde vivia era composto de pessoas que professavam idéias liberais e agiam em favor de vários movimentos reivindicatórios da época;
  • Nos seus trabalhos, sentiu a necessidade de preparar pessoal para os trabalhos sociais;
  • Numa obra, destinada a informar o público, disse que o serviço social podia contar com a colaboração de qualquer pessoa, utilizando-o em proveito da comunidade;
  • Trabalhava na Fundação Russell Sage, uma das mais antigas organizações particulares destinadas a pesquisas sociais;
  • Segundo Joana Colcord: Mary era uma personalidade marcante, com visão clara e organizada, e um temperamento naturalmente autoritário. Nunca pôde cursar um nível superior, o que conferia certo complexo de inferioridade;
  • É sabido as discussões e divergências entre ela e Jane Addams, líder do movimento dos Centros de Vizinhança;

Mary Richmond.
Imagem de: www.pinterest.com

Produção Literária de Mary Richmond:

  • Principais obras: Social Diagnostic; What is Social Casework?;
  • Sua forma discursiva variava conforme seu objetivo: conselhos e sugestões para o trabalho social, descrição de fatos observados, contestação de opiniões alheias, autodefesa de suas opiniões, explanação de seu método e da maneira de operacionalizá-lo;
  • Tudo que afirma ou sugere é apoiado em exemplos tirados de seus trabalhos e das obras sociais de colegas;
  • Todos seus livros têm como base uma minuciosa pesquisa: What is social casework? Partiu de um levantamento nos prontuários de várias obras sociais;
  • Mary apoiava-se, portanto em conceitos sociológicos, no entanto encontrava certa dificuldade em explicar e compreender os depoimentos testemunhais: a intenção do cliente, as atitudes diante dos problemas, suas reações a várias situações, etc.;
  • Contribuiu para a terminologia do serviço social introduzindo e definindo vários termos;
  • Mary preferia Social Work;

O Pensamento Social de Mary Richmond:

  • Influenciou a profissão de assistente social no mundo inteiro, principalmente na América Latina;
  • Seu pensamento social enfoca duas noções principais: diagnóstico social e a noção de caso social. Destas duas noções chegamos a suas idéias sobre trabalhos com as massas, reforma social, a atuação dos voluntários e formação profissional;

A noção de diagnóstico social:

  • Os elementos para o diagnóstico deveriam ser aqueles que todos os assistentes sociais conhecessem bem: cada um devia dominar estes conhecimentos, mas também aceitar as modificações que a experiência e os tempos determinassem nos mesmos;
  • Como todo espírito científico, Mary quis, conscientemente ou não, efetuar uma ruptura epistemológica com a prática utilizada para investigar o pedido do cliente;
  • Prevalecia na COS ainda um tipo de investigação de natureza econômica, para soluções imediatas, sem procura das causas e apreciadas a través de regras morais, religiosas ou filosóficas;
  • Achava que devia partir da realidade e não de idéias morais ou sentimentos emocionais;
  • Devia apoiar-se sobre a prática atual as situações do momento e, por isso, lançou-se numa prodigiosa coleta de material para averiguar como os trabalhadores sociais investigavam o pedido do cliente;
  • Devia-se procurar a evidência em relação ao cliente. Evidencia social diz respeito a todos os fatos relativos á história pessoal e familiar do cliente que, tomados em conjunto, indicam a natureza da dificuldade e os meios de solucioná-la;
  • Ao examinar as evidencias surgem as inferências; esta pode ser considerada como uma hipótese que surge da própria experiência ou se constrói gradativamente;
  • O diagnóstico não é apenas um resumo ou um somatório de problemas; deve incluir uma descrição geral da dificuldade, das circunstâncias e da personalidade que diferencia aquele caso de outros, a possibilidades de reabilitação do cliente e de sua família; Deve-se coletar e interpretar evidências, construir as inferências e comprovar as hipóteses;

A noção de Caso Social e de Casework:

  • O estudo de casos emprega grande número de técnicas, desde a observação participante, à entrevista, à análise de documentos privados, etc.;
  • Ela foi a primeira a trabalhar cientificamente com indivíduos – cada um de per si – e a definir um método de serviço social;
  • Definiu o Caso Social como a situação-social-particular-problema e não a pessoa envolvida;
  • Considera em primeiro lugar os serviços prestados de maneira intensiva; em segundo lugar, com problemas de solução difícil e demorada; em terceiro lugar, os serviços prestados independentemente de outras profissões;
  • Para ela personalidade é o que é inato e particular àquele homem e tudo que adquiriu através da educação, da experiência e das relações humanas;
  • O campo de trabalho social de casos é o desenvolvimento da personalidade pelo ajustamento consciente e compreensivo das relações sociais;
  • A abordagem do assistente social vai ao indivíduo através de seu ambiente, e um ajustamento sempre deve ser realizado de individuo a individuo e não pela massa;
  • O ambiente físico tem aspectos sociais que assim o transformam num ambiente social;
  • Se o ambiente gera problema e não permite a sua solução, ele deve ser modificado;
  • Trabalho social de caso é aquele processo que desenvolve a personalidade através do ajustamento consciente, individuo por individuo, entre este e seu ambiente;
  • Não nega a necessidade de auxílios materiais, mas afirma que eles ocupam apenas um lugar subsidiário; não admite que a concessão de auxílios seja uma especialidade do serviço social, pois é um trabalho que pode ser feito com generosidade por qualquer pessoa;
  • O casework diferencia e especializa, enquanto a reforma social generaliza e simplifica fazendo as mesmas coisas para todos; ele apenas uma parte do grande campo ocupado pelo serviço social em geral;
  • Os resultados dos trabalhos com os indivíduos e com a vizinhança serão, no entanto, de pouco valor, se não houver assistentes sociais especializados em reforma social, que saibam educar o público, rascunhar projetos de leis, conduzir campanhas e formar uma liderança;

A Filosofia de Mary Richmond:

  • Mary escreve; nenhuma assistente social é obrigada a adotar a filosofia de outras pessoas. Bases de sua filosofia: os seres humanos são interdependentes; são diferentes uns dos outros; não podem ser mandados como animais domésticos, todos têm vontade própria e objetivos pessoais e, não foram criados para um papel passivo na sociedade.

Jalon Nunes de Farias – 14/11/2007



GORDON HAMILTON
Gordon Hamilton.
Imagem de: www.canonsociaalwerk.eu


  • Perspectiva tradicional: serviço social de caso;
  • Ex-professora da New York School of Social Work, da Columbia em Nova York;
  • Formalista;
  • Referências teóricas: psicologia, psicanálise, psiquiatria e sociologia;
  • Proposta: modelo psico-social; objetivos do modelo: satisfazer as necessidades dos clientes, ajuda-lo a lidar com o seu problema, reforçar sua capacidade de funcionar confortável e produtivamente, diminuir o seu infortúnio;
  • Concepção da profissão: profissão humanística – o serviço social tem solução para todos os problemas sociais e deverá conseguir a elevação moral e material do nível de vida do homem;
  • Valores: dignidade da pessoa humana, justiça social, solidariedade humana, aperfeiçoamento humano;
  • Princípios: indivíduos e sociedade são interdependentes, igualdade de oportunidades;
  • Procedimentos metodológicos: estudo, diagnóstico, avaliação, tratamento (direto/indireto);
  • Instrumentalidades do serviço social de caso: se constitui na ferramenta que o profissional vai usar para atingir seu objetivo profissional. A entrevista é deles, o relacionamento (relações inter-pessoais), plantão, visita domiciliar, documentação e reunião;
  • Relacionamento: é uma interação dinâmica de atitude e emoção, entre cliente e assistente social, que se inicia:

1.    Individualização;

2.    Expressão dos sentimentos;

3.    Aceitação;

4.    Controle emocional;

5.    Autodeterminação;

6.    Atitude de não-julgamento;

7.    Descrição.

  • Pontos a se considerar numa entrevista:
1.   Motivação humana;
2.   Associação de idéias;
3.   Mudança de assunto;
4.   Incoerência e lacunas;
5.   Sentenças iniciais e finais;
6.   Observação;
7.   Arte de ouvir;
8.   Arte de perguntar;
9.   Arte de responder perguntas pessoais;
10.  Liderança;
11.  Ambiente/ local;
12.  Duração;
13.  Planejamento;
14.  Confidencialidade;
15.  Relatórios;
  • Relação inicial: cliente – assistente social – assistente social – cliente – cliente - assistente social;
  • Plantão: é um instrumento do serviço social, que é utilizado no momento em que se necessita de atender grande quantidade de pessoas num período restrito;
  • Plantão exige do profissional:

1. Um conhecimento técnico-teórico bastante desenvolvido;

2. Um conhecimento aprofundado da instituição;

3. Raciocínio rápido, isto é, identificar o problema e imediatamente ser resolvido;

4. O profissional atende a um grande número de pessoas;

  • Visita domiciliar: é aquela visita feita na residência (casa) do cliente, é uma atividade complementar;
  • Deve demonstrar boa educação doméstica ao utilizar a entrevista.

JaloNunes.