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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Resumo 11: Sociedade, Educação e Vida Moral - trecho do Livro 'Sociologia da Educação', de Alberto Tosi

O HOMEM FAZ A SOCIEDADE OU A SOCIEDADE FAZ O HOMEM?

Desde que a Sociologia adquiriu caráter de Ciência, começou a investigar quem era o elemento principal, ou seja, quem detinha poder sobre o outro, no sentido de condicionar para um determinado fim: a sociedade como estrutura de poder e coerção sobre o homem, ou este último como ser capaz de criar e transformar a sua vida em sociedade?
Foi então que alguns sociólogos apresentaram a sociedade como elemento detentor de poderes sobre as relações sociais, colocando-a numa dimensão fora da mente das pessoas, pois assim, suas investigações estariam fora do campo da Psicologia. Porém, outros sociólogos entenderam que é o homem que, através de sua relação com os outros, quem domina a realidade social.
Por fim, chegou-se a conclusão que a sociedade é tão importante quanto o indivíduo; colocar um sobre o outro é apenas uma questão de enfatizar determinadas teorias sociológicas e a dedução de suas concepções educacionais.
Capa de uma das edições.Disponível em:
www.lamparina.com.br

DURHKEIM E O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO

Émile Durkheim (1858-1917) “vislumbrou em sua obra a existência de um ‘reino social’”. Também chamado por ele de “reino moral”, seria o lugar dos “fenômenos morais”, e tinha como ambientes os “ideais coletivos”, os quais seriam o lugar de desenvolvimento da vida social.
Detectar os estados coletivos é tarefa dos sociólogos, que devem posicionar-se como cientistas (cientistas sociais) com laboratórios e tudo mais. O sociólogo vai apenas conhecer o meio social, para poder “descobrir as leis da vida social”, tendo como determinante o próprio “fator social” e não se deixar influenciar ou ser alguma influência sobre o objeto que está sendo investigado.
Para conhecer os fatos sociais deve-se manter uma postura intelectual, entendendo os mesmos como “coisas”, no sentido de obter informações precisas, metodicamente colhidas, com o auxílio da ciência, mas os fatos sociais também podem ser reconhecidos na própria atividade comum dos homens, visto que ele exerce imposições sobre os indivíduos, por exemplo, a leis, o casamento, a moda...
Enfim, nossa cabeça está repleta de ideias e ideais, significa que os fatos sociais estão inseridos na nossa cabeça, no nosso cotidiano.

A SOCIEDADE COMEÇA NA CABEÇA DE CADA UM

É incrível o tanto de informações nossas e alheias (dos outros indivíduos e da própria diversidade da sociedade) trafegando como linhas cruzadas em nossa cabeça. São informações pessoais, interpessoais e da vida social como um todo. Tento é que podemos ser privados de viver no meio social, mas não de pensar em todas as relações deste meio.
A individualidade forma a coletividade, que é advinda da cooperação, ou seja, a sociedade assim existe. Esta sociedade é como um grande “organismo” onde cada ser humano tem sua parcela de contribuição, para formar o todo que irá interferir sobre as partes.
Porém, não é apenas o indivíduo no tempo presente que forma a sociedade, esta também contem elementos importantes de gerações passadas: crenças, regras, valores. É a partir de tais influências e do que construímos, que vivemos segundo da “vontade da sociedade”.

A DIFERENÇA DA SOCIEDADE

Aprendemos segundo a vontade da sociedade, pois “fomos educados para isso”. E esse controle que a sociedade tem conosco não é algo oco, pelo contrário, tem conteúdo: são crenças, valores, regras, costumes promovidos por gerações passadas e presentes, sendo difundidos pelo meio social. São infinitas regras, as quais temos que obedecer, temos que nos adaptar para viver em comunidade.
O meio social é produzido pela divisão do trabalho que, conforme suas disposições, dita a forma que os indivíduos praticarão a cooperação. Segundo Durkheim, uma das formas de fazer viver a sociedade é o consenso, digamos que ele organiza a cooperação e consequentemente produz a vida social. Durkheim designou que quanto a disposição do trabalho há um tipo de solidariedade. Veja: num ambiente em que a vida social realiza tarefas iguais, pois existem pessoas (os povos primitivos, por exemplo) há a solidariedade mecânica, já numa sociedade em que há diversas atividades (divisão do trabalho) as pessoas praticam tarefas diferentes, é o caso da época industrial, com uma solidariedade tipo orgânica.

EDUCAÇÃO PARA A VIDA

É num meio moral, onde há competição entre o individualismo diferenciado e a consciência coletiva que a educação faz-se importante como educação moral. Esta deve, acima de tudo, ensinar o homem a ser membro da sociedade e preservar a solidariedade, evitar o individualismo em preservação à consciência coletiva, sustento de uma sociedade qualquer. É necessário também deter a solidariedade mecânica, individualista, para que a sociedade não entre em anomia, quer dizer, a falta de regras, o caos. Durkheim insiste em dizer que não há apenas um tipo de educação universal, pelo contrário, cada sociedade (cada meio social) deve ter sua educação adequada e o indivíduo deve segui-la para depois ocupar seu lugar e preservá-lo, até mesmo da sua própria diferenciação.
“A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade crítica, no seu conjunto e pelo meio moral a que a criança, particularmente, se destine”.
JaloNunes.
REFERÊNCIA
RODRIGUES, Alberto Tosi. In: Sociologia da Educação. 3. ed. Rio de Janeiro: DP & A, 2002.