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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Resumo 7 - Prefácio à 2ª ed. da Crítica da Razão Pura, de I. Kant


Será que existe um caminho seguro para a ciência trilhar? Ora, é possível que exista, mas para isso será necessário abandonar a possibilidade de parar diante de uma permanência ou de uma inseparabilidade do objeto em questão, ou em caso de dúvidas voltar para o princípio e mudar os rumos, ou ainda se não houver partilha do objeto comum com os diversos colaboradores. Então, para que seja encontrado um caminho seguro se deve trabalhar com a razão e abandonar as coisas sem conteúdo (vãs). A ciência deve conter essencialmente o fator razão, com um conhecimento a priori e este conhecimento racional pode relacionar-se com o seu objeto ou de maneira a determiná-lo, simplesmente, ou um pouco mais além a ponto de realizá-lo.
Disponível em: www.casasbahia.com.br
Há muito tempo a Lógica veio trilhando esse caminho seguro e é notável que ela sequer deu um passo adiante, porém os indícios sempre a julgam acabada e concluída. Alguns modernos quiseram lhe ampliar com elementos psicológicos, metafísicos e antropológicos, entretanto isso não ampliou, mas desfigurou seus limites. A Lógica está com suas fronteiras rigorosamente estabelecidas, é só observar que ela apenas expõe, pormenorizadamente e provam rigorosamente as regras formais de todo o pensar. A Lógica nada mais é do que algo anterior à ciência, uma espécie de base.

Atendendo a outras formas de conhecimento, que vão além dos conhecimentos propiciados pela razão, temos a Matemática e a Física, com seus conhecimentos teórico-racionais, determinando seus objetos de estudo também de forma apriorística, inteiramente puros.
As primeiras apresentações Matemáticas talvez tenham sido os elementos mínimos das demonstrações geométricas e o triângulo isósceles, isso segundo o que diz Diógenes Laércio. A Matemática surgiu, provavelmente, entre os egípcios; depois apareceu entre o admirável povo grego, já seguindo o seguro caminho da ciência.
Foi com o engenhoso Bacon de Verulam, há aproximadamente um século e meio, que a Ciência da Natureza obteve ações efetivas; é claro que ela já vinha há tempos buscando a estrada real da ciência, só que vergonhosamente. Essa posição real da Ciência da Natureza aconteceu também graças a Galileu, a Torricelli e mais tarde a Stahl. A Ciência da Natureza deve, portanto, agir, impor, induzir a natureza a ceder as respostas que precisa.  E assim também a Física se firmou no campo das ciências procurando na natureza o que a razão ali depositou e, a partir dali, aprender.
Foi graças a revoluções repentinas que não só a Matemática como a Ciência da Natureza estabeleceram suas importâncias e na analogia com a Metafísica nos passam até hoje a ideia de que todo o nosso conhecimento deve acomodar-se ao objeto, porém, tudo o que foi feito para apurar algo a priori sobre tais objetos não vingou; é mais viável, então, entender e buscar os objetos do nosso conhecimento, ou depois da experiência, sendo que esta última é mais eficaz, pois a experiência é um modo de conhecimento que pressupõe entendimento, pois, antes que qualquer objeto nos dê a priori a sua face, já temos em nós as regras do entendimento.
A priori é limitada e não nos faz transcender o limite da experiência possível, daí termos as coisas apenas como fenômenos, pois mesmo sabendo a validade de suas realidades ainda se apresentam desconhecidas. O que Kant chama de incondicionado nos induz a ultrapassar os limites da experiência e de todos os fenômenos; ele não se encontra nas coisas como elas são, pois essas coisas se conformam com o nosso modo de representação e o incondicionado não, ele está nas coisas enquanto não as conhecemos.
A razão especulativa recusou todo o progresso de domínio que detinha o Supra-sensível, esta razão bem que poderia deixá-lo vazio, mas nada impede de preenchê-lo a medida do possível, com dados práticos. A Crítica da Razão Pura consiste na tentativa de transformar o método até então usado pela Metafísica, fazendo-o passar por uma total revolução. Ela é uma unidade à parte, suficientemente pessoal, que possui várias funções, agindo individualmente e ao mesmo tempo em conjunto, sendo que cada princípio é rigorosamente examinado.  A Crítica da Razão Pura deve ser privilégio do filósofo especulativo, sendo ele o detentor dela, não devendo, em hipótese alguma, tornar-se popular, pois o povo costuma somente entender argumentos engenhosamente traçados como teias e fazer interpretações aparentes, empíricas da realidade em questão.
Numa rápida e superficial olhada na Crítica da Razão Pura é possível se detectar os pontos positivos e os negativos. O ponto negativo é aquele que nos chama a atenção quanto a limitação, a respeito de um conhecimento através da razão especulativa. A positividade é que nos damos conta de que a razão especulativa, ao ousar ultrapassar os limites, consegue não uma extensão, mas apenas uma coarctação do uso da nossa razão. A Crítica da Razão Pura ultrapassa os dados sensíveis, sem o auxílio da razão especulativa, portanto, é ilógico negar a importância da Crítica, e é a parte analítica desta crítica que vai provar a impossibilidade de conhecer objetos como coisas, mas sim como fenômenos. É bom também lembrar que para se conhecer algo é necessário, de princípio, ao menos pensar este algo (objeto).
Não dá para se conhecer a liberdade pela razão especulativa e muito menos pelo dado sensível, entretanto é possível pensar a liberdade no sentido mais estrito; pode-se admitir a liberdade como sendo a moral, porém a razão contradiz a liberdade e a moralidade, devendo então, substituí-las pelo mecanismo da natureza. Para a moral basta que a liberdade seja pensada e penetrada a fundo sem oposição de obstáculo quanto ao mecanismo natural.
A Filosofia é uma importante aliada da Metafísica, e nestas condições ela deve ser muito cuidadosa, no que diz respeito à Dialética da Razão que é natural à Metafísica. Ela deve, portanto, resguardá-la definitivamente de todas as influências que causem dano ou que levem ao erro.
A Crítica vem para impedir que se façam conclusões incompletas, que se falsifiquem doutrinas por não se encontrarem respostas convincentes, ou melhor, satisfatórias. “Só a Crítica permite cortar o mal pela raiz”.
“A Crítica é a propedêutica, provisória e necessária, para a promoção de uma Metafísica completamente sólida como ciência que, deverá ser elaborada em forma dogmática e conforme as exigências mais rigorosas da sistemática, em moldes escolásticos, sem a influência popular, pois a sua tarefa será inteiramente a priori”.
Imagem disponível em: edmarciuscarvalho.blogspot.com

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
KANT, Immanuel. Textos Seletos. Vozes: Petrópolis, 1974.
JaloNunes.