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sábado, 14 de junho de 2014

Poesia - Eu me esqueci de viver


Lascas de sombra
Invadem-me..
Sombra: enigma do céu,
Lacunas no solo!

Imagem disponível em: coressobrias.blogspot.com

Céu púrpura, carvalho doente
E no calvário real:
solilóquio;
Mesmo rodeado por múltiplos
Que vagueiam em cumprimento
"sentencial"!


Candangos do amor
Só ódio fúnebre;
Casa para a desgraça
Tormento seminu!


Água doce que desce
De um rio amargamente usurpado
Escorrega pelo corpo:
Caduco do amor, sedento por paixão.


Que paixão: lastimável demais, nada concisa!
Merecedora de léguas, léguas
E mais léguas de açoites;
De línguas e de ação.


Chicoteadas dadas
Pelo braço forte, do humano viril
Regente do tempo, sem o ser
Enganador de mentes, inclusive a sua!


Açoitadas impostas
Pelo pêndulo do chumbo quente;
Pelo falo; do que eu falo?
De coisas que puseram em minha cabeça...


Loucuras, palavras que à cabeça vem;
Rosto com sentimentos,
Entulhos de verbos.
Que tédio!


Para que verbos, sons?
Palavras e gritos?
Gemidos bastam...
Se estes não são de dor...


Bastam! Não sobram!
Mas "descrevem", desordenam...
Plenitude semeiam e colhem:
Ardor, vida: somente.


Somente assim se é gente
Porque antes é animal
E nós: humanos perecíveis
Só não somos realizados, felizes
Porque tentamos dia a dia
Destruir o animal instintivo,
E irracional que nós somos;
O que nos justifica, afinal. 
JaloNunes.