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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Jardim Botânico d'Ajuda - Lisboa/Portugal


“Jardim do século XVIII, final do barroco, espaço de rigor geométrico, foi o primeiro jardim botânico português, devendo ser considerado como a primeira e a mais importante instituição dedicada à cultura da história natural do País”. 
“Após o terremoto de 1º de novembro de 1755, o Marquês de Pombal mandara construir na Ajuda, nessa época subúrbio da capital, um edifício de madeira, abrigo e residência provisória da família real, que ficou conhecido pelo nome de ‘Paço Velho’, e que, no reinado de D. Maria I, desapareceu devido a um incêndio".
"Para implantação do Real Jardim Botânico, no sítio de Nossa Senhora da Ajuda, D. José I comprou ao conde da Ponte a quinta que este possuía junto ao Paço da Ajuda. Inicialmente esta quinta destinou-se à cultura de frutas e hortaliças necessárias ao palácio real”. 
“Em 1765, por ordem de D. José, foi encarregado de delinear e dirigir as obras do Real Jardim Botânico da Ajuda o Dr. Domingos Vandelli e de inspecioná-las o ministro da Marinha, Francisco Xavier de Carvalho, irmão do 1º Marquês de Pombal. Destinava-se o jardim, tal como o Museu de História Natural e o Gabinete de Física, instalados num edifício próximo, à educação dos príncipes, em particular a D. José, então com 15 anos e destinado a suceder a sua mãe, caso não tivesse falecido”. 
“Vandelli, em 1791, após ter sido jubilado da Universidade de Coimbra, foi nomeado diretor do inicialmente denominado ‘Real Jardim Botânico da Ajuda, Laboratório Químico, Museu de História Natural e Casa do Risco’. Mandou vir plantas vivas e sementes dos jardins botânicos de todo o mundo, chegando a colecionar mais de 5.000 espécies. No entanto, em finais do século XVIII, apenas existiam 1.200 espécies em cultura: a administração do mestre jardineiro Júlio Mattiazi, que Vandelli mandara vir de Pádua, tinha privilegiado as obras e descurado a conservação dos espécimes”. 
“O segundo diretor, Félix de Avellar Brotero, também após ter sido jubilado da Universidade de Coimbra, fez reviver o jardim. Na opinião deste ilustre botânico, iniciador dos estudos de botânica taxonômica, que em 1811 foi empossado como administrador e diretor, a instituição que lhe tinha sido confiada, apesar de nela se encontrarem muitas plantas raras e úteis em medicina, agricultura e arte, tinha sido estabelecida sem rigor científico. O País tinha sofrido as invasões francesas e as verbas para a manutenção e progresso do jardim tinham sido retiradas. Brotero, que permaneceu até 1828 como diretor do Jardim Botânico da Ajuda, com os recursos que possuía introduziu os melhoramentos que pôde, inclusive uma fonte no bosque, muita apreciada pelo próprio rei D. João VI, o qual, num passeio ao jardim, após ter regressado ao Reino, recomendou a Brotero que a conservasse, por ter achado a água muito fresca”.
“Após a morte de Brotero, o Jardim da Ajuda passou por uma fase de decadência; o longo período da usurpação e a substituição do seu diretor levaram quase à sua total ruína”. 
“Em 23 de maio de 1834 foi nomeado diretor, por decreto de D. Pedro IV, o Dr. José de Sá Ferreira e Santos do Valle, lente da Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, cargo que desempenhou apenas durante dois anos. Posteriormente, o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda, por decreto de 27 de agosto de 1836, foi confiado à administração da Academia das Ciências”. 
“Em junho de 1839, o ministro dos Negócios do Reino concordou com a incorporação do Jardim Botânico na Escola Politécnica, mas não com a entrega do Museu de História Natural. No mês seguinte a direção científica do Jardim Botânico era confiada ao lente da 9ª cadeira (Botânica e Princípios de Agricultura), no entanto, no primeiro concurso destinado à escolha de professor para a referida cadeira decidira-se a exclusão do único candidato, o Dr. José Maria Grande, pelo que o Prof. Xavier de Almeida desempenhou na interinidade as funções de diretor. Após uma segunda votação ordenada pela rainha, D. Maria II, o Dr. José Maria Grande foi aprovado lente da 9ª cadeira e, consequentemente, diretor efetivo do Jardim Botânico a partir de julho de 1840”. 
“Em 1848, o Prof. Dr. J. M. Grande procurou melhorar as coleções de vegetais em cultura e, tendo entregue o ensino durante alguns dias ao seu substituto, o Prof. Andrade Corvo, concluiu as determinações das plantas ainda não identificadas”. 
“Em 1874 o jardim foi entregue à administração da casa real, tendo decaído progressivamente. No tempo de D. Luís foi mandada edificar a estufa das orquídeas, sob a direção de D. Luís de Mello Breyner, diretor da Real Associação Central da Agricultura Portuguesa. A partir daí sucederam-se várias direções, até que foi entregue ao Instituto Superior de Agronomia, em 1918. Naquele ano o Prof. Rasteiro fez a reconstituição do tabuleiro inferior, dando-lhe o mesmo aspecto que já se observava na planta de 1869”. 
“Em 1934, sob a direção do Prof. André Navarro, ocorreram benefícios importantes e foi também naquela data que o Prof. Caldeira Cabral estabeleceu o traçado dos canteiros do tabuleiro superior, que se tinha perdido completamente”. 
“Em 1975 e 1976, uma comissão de gestão dirigiu o jardim. Daquela comissão fazia parte um elemento do Gabinete de Botânica, outro da Seção de Arquitetura Paisagista e outro da Seção de Construções Rurais. Durante aquele período atualizou-se a identificação de mais de 100 espécies de plantas ornamentais cultivadas no jardim e ele serviu de apoio ao ensino e investigação em floricultura”.
“Entre 1993 e 1997, com o apoio do Prêmio de Conservação do Patrimônio Europeu e do Fundo de Turismo, sob a orientação da Prof.ª Cristina Castel-Branco, procedeu-se a um restauro do Jardim com a recuperação da coleção botânica, o restauro do sistema de rega e a instalação do Jardim dos Aromas[1]”.
 
Fonte central, no Jardim.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lindo como é a natureza!
 
 
 
 
 
 
 

[1] Disponível em: http://www.jardimbotanicodajuda.com/ Acesso em: agosto de 2012.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboa/Portugal

"Situado na rua das Janelas Verdes que faz ligação com o contíguo largo de Santos-o-Velho, a nascente, e com o sítio da Pampulha, a poente, da onomástica desta rua lhe vem o nome pelo qual é popularmente conhecido – o de Museu das Janelas Verdes".
"... Característica artéria, ainda hoje semeada pela memória de antigos palácios, igrejas e conventos, convertidos na atualidade nos mais diversos fins, a sua localização, alcantilada sobre o rio e a zona portuária, confere-lhe uma envolvência cenográfica invejável".
"A meio da rua, frente à primitiva entrada principal do museu, abre-se um pequeno largo de planta em U, denominado largo do Dr. José de Figueiredo (primeiro diretor do Museu) cujo projeto é da responsabilidade de Reinaldo Manuel dos Santos (1731-1791), datável de 1778. Também de sua autoria é o desenho do pedestal do chafariz cuja parte superior recebe um grupo escultórico representando Vénus e Cupido, executado pelo escultor António Machado".
"Mais adiante, na extremidade ocidental do edifício, abre-se um pequeno jardim construído sobre a chamada Rocha do Conde de Óbidos, formação rochosa sobre a qual se situavam outrora, de um lado o palácio dos condes de Óbidos (atuais instalações da Cruz Vermelha) e do outro um antigo convento feminino, o designado convento das Albertas. Este convento já não existe e no seu lugar ergue-se, hoje em dia, a ala do museu edificada no final dos anos de 1930, enquanto a pequena cerca do convento foi transformada num jardim público – o Jardim 9 de Abril – que dá acesso à entrada principal e que liga, através de duas longas escadarias que tiram partido da topografia, com a avenida 24 de Julho, toponímia do antigo Aterro oitocentista".

Palácio Alvor-Pombal:
"O museu encontra-se instalado, desde o seu início, num palácio mandado construir no século XVII por D. Francisco de Távora (1646-1710), 1º conde de Alvor (título concedido por D. Pedro II, em 1683), não se conhecendo o arquiteto que o projetou. Admite-se, porém, que a construção se possa situar em torno de 1690, isto é, em data posterior ao seu regresso da Índia, em 1686, onde fora vice-rei".
"Consistia o palácio, inicialmente, num grande corpo retangular, confinando a poente com a igreja e dependências do contíguo convento de Santo Alberto cuja cerca abria, na retaguarda, para um pequeno jardim sobranceiro ao rio".
"Os herdeiros do conde de Alvor vão ter dificuldades em manter a casa que alienarão mais tarde. Foi Matias Aires Ramos da Silva Eça (1705-1763), provedor da Casa da Moeda, que adquiriu o palácio por volta de 1747".
"Apesar de o edifício ter saído incólume do devastador terreamoto de 1755, Matias da Silva Eça não o habitou e passou a arrendá-lo. Sabemos que o embaixador da Alemanha, conde de Metch, que pagava anualmente a renda de 3 mil cruzados, aqui residiu de 1759 a 1762. Posteriormente, a residência vem a ser arrendada ao cônsul holandês Daniel Gildemeester famoso e opulento contratador de diamantes e protegido do marquês de Pombal, que construiu o palácio de Seteais, em Sintra. A morte de Matias Aires de Eça provocou um pleito jurídico entre os seus herdeiros, que só terminou em 1769. A casa é, então, arrematada por um irmão do marquês de Pombal, Paulo de Carvalho, que terá tirado partido desta ligação político familiar para tal vantajosa aquisição. Cerca de 1775, Gildemeester vem a patrocinar um suntuoso programa de requalificação dos interiores da residência, para “boa acomodação da sua pessoa e família e de seu filho primogénito a quem queria dar estado”. O acrescentamento de um quarto novo, na banda ocidental, foi acompanhado de um enriquecimento dos tectos que seguiu uma gramática de aparato dentro do gosto rococó, tal como ainda hoje vimos. Nesta altura foram colocadas as armas do marquês de Pombal quer nos dois portais exteriores, quer no portal de acesso ao salão nobre do palácio".
"É admissível que a autoria das obras de estuque dos tetos possa ser creditada a Giovanni Rossi (1719-1781), pois está próxima de outras intervenções que realizou nesta época: no palácio Pombal, em Oeiras, e no da rua Formosa, do mesmo proprietário, no palácio dos Machadinhos, à Madragoa e no palácio do largo Mesquitela, para só citar exemplos de arquitetura doméstica senhorial. De facto, as estruturas decorativas com temas de concheados e arabescos na fragilidade remetem para uma fragilidade acentuada pela assimetria e harmonia dissonante. Já a porta monumental, num discurso ostentatório que explode na sua exuberância de memória barroca, foi provavelmente idealizada pelo mesmo Grossi seguindo empréstimos de famosos ornamentistas franceses ou mesmo italianos a trabalhar em Inglaterra, cujas gravuras em álbuns, livros, recolhas, ou mesmo de modo avulso circulavam na Europa. De entre estes deverá citar-se Jean F. Cuvillés (1695-1796) cujos desenhos vieram para Portugal num portfólio de um colaborador de Grossi".

Convento das Albertas:
"A ala mais recente do museu, acrescentada na extremidade confinante com o Jardim 9 de Abril, foi edificada no final dos anos 1930, no local onde antes se erguia o convento de Santo Alberto, contíguo ao palácio Alvor, primeira fundação das religiosas carmelitas descalças em Portugal. Sob a invocação de Santo Alberto de Vercelli, a fundação do convento ocorrera entre 1583 e 1598, durante a regência do cardeal - arquiduque Alberto de Áustria, vice-rei de Portugal".
"No início do século XX, o que restava do seu edifício, construção simples e desornamentada, encontrava-se em estado de avançada ruína devido a um longo período de abandono e degradação que se seguiu à extinção das ordens religiosas, em 1834, e a um período de longa agonia que terminaria com a morte da última freira, já na década de 1890, tendo o edifício sido demolido em 1918".
"Dele somente resta, atualmente, a antiga capela, preservada como exemplo típico do barroco português na sua harmoniosa conjugação entre a talha dourada e o azulejo. Vista do exterior, a capela apresenta um alçado despojado e austero, marcado por um portal nobre proto-barroco, guardando para o seu interior todo o esplendor ornamental".

Museu/transformações do edifício:
"Ao longo dos tempos, depois de se tornar museu, o edifício conheceu várias adaptações e remodelações em diversas campanhas de obras que visaram sempre, em última análise, uma constante luta pela conquista de espaço".

Período de 1884 a 1911:
"Mantendo o seu aspecto de palácio, o então chamado Museu de Belas-Artes e Arqueologia conheceu diversos arranjos durante essas décadas. Dele se sabe que teve uma primeira organização devida ao professor e pintor António Tomás da Fonseca, que o arrumou segundo um critério cronológico genérico, com nítida preferência pela pinacoteca, conhecendo, posteriormente, outros arranjos nas décadas seguintes. A partir de 1911 o Museu adota a atual designação de Museu Nacional de Arte Antiga, mas também a atual vocação, fixando as balizas cronológicas vigentes graças à ação modernizante do seu primeiro diretor, José de Figueiredo. A cedência de muitas obras do acervo permitiu que se organizasse um tecido museológico nacional de que as Janelas Verdes são a matriz".

Campanha de obras de 1930/1940:
"Promove-se a criação de um corpo anexo (projeto do arquiteto Guilherme Rebelo de Andrade), inaugurado em 1940, com a Exposição dos Primitivos Portugueses. O novo edifício apresentava-se como um gigantesco cubo dividido em três pisos, com um grande salão central e uma galeria superior, dedicados à exposição permanente e um outro, para as reservas, com um conseguido tratamento 'natural' de climatização. A opção programática tem sido objecto de controvérsia, pela retórica estilística que assumiu de modo mais pomposo no exterior, procurando uma representação historicista vinculada à opulência joanina. Ressalve-se, no entanto, o acerto das volumetrias e o diálogo contextual que expressa. Do ponto vista funcional o aumento considerável de área teve como consequência a possibilidade de expandir significativamente o número de obras a expor, induzindo um discurso expositivo atualizado".

Remodelação do Palácio (1942-1947):
"Neste período procedeu-se à construção de um corpo oriental de fachada que manteve o prospecto aspecto e o ritmo de fenestração do solar seiscentista, tendo-se instalado aí o auditório, a biblioteca e o gabinete de Desenhos e Estampas, novas salas de exposição permanente, uma galeria para exposições temporárias, vários gabinetes de estudo e de serviços".
"O início dos anos 80, quando da realização da XVII Exposição do Conselho da Europa (1983), trouxe a possibilidade de uma intervenção estrutural no edifício do Anexo, de acordo com o projeto do arquiteto João de Almeida. Esta campanha consistiu basicamente na criação de um piso intermédio inteiramente novo, duas grandes salas para exposição no lugar da antiga escadaria e um espaço de claustro fechado no último andar".
"O último ciclo de obras ocorreu em 1992-94 (segundo projeto de Arqui III/ João de Almeida) e visou essencialmente a duplicação do espaço de exposições temporárias, o tratamento do ar condicionado no conjunto do edifício, a reinstalação do Gabinete de Estampas com espaços próprios de exposição e de tratamento de conservação, a criação de uma nova área para os serviços técnicos e administrativos e, ainda, a ampliação de setores de apoio ao visitante".

História:
"O Museu foi criado em 1884, concretizando uma antiga aspiração surgida após a abolição das ordens religiosas, ocorrida precisamente 50 anos antes, a de dar destino às obras de arte que, nessa altura, passaram para a posse do Estado".
"Reformado em 1911, o museu recebeu o nome que actualmente tem, assumindo, a partir de então, os contornos gerais que configuram as suas coleções. A sua história ao longo de mais de um século é uma história de crescimento em vários ciclos, que passou pela redefinição do âmbito dos seus acervos e que tem sido, sobretudo, marcada pela conquista de novos espaços através de adições e requalificação das suas instalações".

Um pouco de história – as origens do atual museu:
"Em 1834, após uma longa guerra civil seguida do triunfo dos liberais, um decreto datado de 28 de Maio desse ano aboliu as ordens religiosas, encerrando de imediato os conventos masculinos, e determinando o fecho dos femininos após a morte da última freira. Ficou de imediato o novo poder político com a grande responsabilidade de dar destino a um enorme volume de bens culturais móveis, tarefa de que viria parcialmente a incumbir-se a Academia Real de Belas-Artes, fundada em 1836 e também ela produto do liberalismo nascente".
"Somente em 1869 se deu a abertura da primeira galeria pública de pintura da Academia em sete salas da sua sede, nos espaços do antigo Convento de S. Francisco de Lisboa, apresentando também um espólio significativo de legados e doações".
"Foi, porém, o enorme sucesso obtido pela Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Espanhola, organizada em 1882 nas salas do palácio Alvor-Pombal, que levou à compra deste edifício pelo Estado e à abertura oficial do museu, dois anos mais tarde, a 12 de Junho de 1884".
"Sob o nome de Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia foi, assim, franqueado ao público, concretizando o objetivo de nele instalar o que então se designava por 'Museus Centrais' e ainda entregue, nessa altura, à direção e orientação da Academia".
"As coleções aqui reunidas começaram por ser muito vastas, desde a arqueologia à arte moderna. Nas décadas seguintes, porém, algumas importantes colecções foram desafectadas e transferidas dando origem a outros museus: as de arqueologia para o Museu de Etnologia (actual Museu Nacional de Arqueologia), criado em 1893". 
"Com o advento da primeira República, o Museu deixa de depender da Academia e com a retirada das colecções de arte moderna, em 1911, instaladas de novo em S. Francisco, no então criado Museu Nacional de Arte Contemporânea (atual Museu do Chiado), assume, na sua estrutura museológica, a identidade que mantém até aos nossos dias[1]".

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

2ª Exposição de Belas Artes - Léo Art's

Semana anterior, na cidade Palmeira dos Índios/AL, o artista Léo Art's expôs algumas de suas obras (pinturas) em espaço aberto, na Praça São Pedro, Centro da cidade supracitada!
Trata-se de telas muito singulares e compostas com muito zelo e talento; são portanto, obras primas do trabalho criativo do povo palmeirense! Que o artista receba a homenagem e os parabéns deste blog!
Abaixo colocamos algumas fotos deste trabalho e recortes de algumas telas.
 
Saudosa "Maloca do Índio".
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Fichamento - De Onde Vem o Dinheiro?; Na Indústria, Agricultura, Transporte



HUBERMAN, Leo. Capítulos 14 e 15: De Onde Vem o Dinheiro?; Na Indústria, Agricultura, Transporte. In: História da Riqueza do Homem. (Tradução Waltensir Dutra) 21 ed. São Paulo: TC Editora.

Capítulo 14: De Onde Vem o Dinheiro?
Dinheiro que é capital e dinheiro que não é.
O capital e os meios de produção.
Como os Impérios acumulam capital para a indústria moderna.
Novas formas de produção, nova religião.

“O dinheiro só se torna capital quando é usado para adquirir mercadorias ou trabalho com a finalidade de vendê-los novamente, com lucro”. (p. 156)

“Quando o dinheiro é empregado num empreendimento ou transação que dá (ou promete dar) lucro, esse dinheiro se transforma em capital”. (p. 157)

“É a força de trabalho do operário que o capitalista compra para vender com lucro, mas é evidente que o capitalista não vende a força de trabalho de seu operário. O que ele realmente vende – e com lucro – são as mercadorias que o trabalho do operário transformou de matérias primas em produtos acabados”. (Idem)

“Antes da idade capitalista, o capital era acumulado principalmente através do comércio – termo elástico, significando não apenas a troca, mas incluindo também a conquista, pirataria, saque, exploração”. (p. 158)

A maioria dos países anteriormente poderosos e ricos havia conquistado seus tesouros a partir do uso da força e da exploração sobre os nativos e/ou os menos desenvolvidos. Portanto, devastavam tudo para encontrarem e acumularem recursos.

“Até os negros eram mercadoria muito boa na Holanda, e que podiam ser facilmente obtidos na Costa da Guiné”. (p. 161)

O comércio, as conquistas, a pirataria, saque, exploração, tudo isso e muito mais contribuiu para a acumulação de capital há alguns séculos. Estas ações produziam lucros enormes e fantásticos e aumentava a cada vez mais.

O texto deixa claro que: “o homem só trabalha para outro quando é obrigado” (...), “pois quando os trabalhadores têm acesso aos seus próprios meios de produção – no caso, a terra – não trabalham para outra pessoa”. (p. 162)

·Uma vez que, enquanto os trabalhadores podiam usar suas ferramentas para fabricarem por conta própria, eles atendiam as suas necessidades e não se submetiam a outrem.

“Somente quando os trabalhadores não são donos da terra e das ferramentas – somente quando foram separados desses meios de produção – é que procuram trabalhar para outra pessoa”. (Idem)

Tornaram-se libertos dos Feudos, porém reféns dos novos modos de produção e assim só podiam vender suas forças de trabalho.

“O trabalhador com terra tornou-se o trabalhador sem terra – pronto, portanto, a ir para a indústria como assalariado”. (p. 163)

“O movimento de arrendamento e fechamento das terras fez com que os novos sem terra se sentissem irritados contra os senhores que lhes roubavam o direito a terra e contra o governo que impunha medidas para expulsa-los das terras (...), mas, não se pense que os donos de terra estavam expulsando os camponeses para proporcionar uma força de trabalho à indústria. (...) Estavam interessados apenas em arrancar maiores lucros da terra”. (p. 164)

“Do século XVI até princípios do século XIX, na Inglaterra, o processo de privar o camponês da terra teve continuação (...) e com isso, cidades e indústrias aumentam, por que mais pessoas irão à procura delas. Em busca de lugares e emprego”. (165)

“O fechamento foi, portanto, uma das principais formas de obter o necessário suprimento de mão-de-obra para a indústria”. (p. 166)

O próprio sistema fabril fez separar o trabalhador dos meios de produção assim como já o havia separado da terra.

“Na competição entre trabalho mecanizado e trabalho manual, a máquina tinha de vencer”. (Idem)

Na concorrência com a máquina o trabalhador sempre saia perdendo, muitas vezes o artesão precisava vender seu tear e ir em busca de emprego, seguindo a enorme fila daqueles que já haviam feito o mesmo. “Desta forma começou a existir a classe trabalhadora, sem propriedades, que com a acumulação do capital torna-se essencial ao capitalismo industrial” (p. 167).

“O mundo dominado pelos comerciantes, fabricantes, banqueiros, exigiu um conjunto de preceitos religiosos diferentes dos do mundo dominado pelos sacerdotes e guerreiros”. (p. 168). Neste sentido é que a Igreja perdeu espaço e o protestantismo serviu perfeitamente as ambições capitalistas.

“Tomemos por exemplo os puritanos. Enquanto os legisladores católicos advertiam que o caminho da riqueza podia ser a estrada do inferno, o puritano Baxter dizia a seus seguidores que se não aproveitassem as oportunidades de fazer fortuna, não estariam servindo a Deus”. (Idem)

“Em suma, o caminho da riqueza, para quem o deseja, é tão fácil como o caminho do mercado. Depende principalmente, de duas palavras, indústria e frugalidade; ou seja, não desperdice tempo nem dinheiro... aquele que, honestamente, ganha tudo o que pode, e poupa tudo o que pode, certamente se tornará rico”. (p. 169)

“Quando o século XIX teve início, ‘economizar e investir’ tornaram-se ao mesmo tempo o dever e o prazer de uma grande classe”. (p. 170)

“A acumulação de capital, que veio do comércio primitivo, mais a existência de uma classe de trabalhadores sem propriedades, prenunciavam o início do capitalismo. O sistema fabril em si proporcionou a acumulação de uma riqueza ainda maior”. (Idem)


Capítulo 15: Na Indústria, Agricultura, Transporte.
A máquina a vapor.
O crescimento demográfico.
O novo tipo de vida no século XVIII.




A máquina a vapor, surgida (inventada) no século de 1800, pelo Senhor Watt estava em uso em praticamente todas as minas, fundições, cervejarias e usinas. O aparecimento desta e de outras máquinas a vapor, fizeram do sistema fabril um sistema de larga escala, o que representou um tremendo aumento da produção.

Também “esse aumento de produção foi em parte provocado pelo capital, abrindo caminho na direção dos lucros. Abertura de mercados das terras recém-descobertas foi uma causa importante desse aumento” (p. 172).

Assim como a revolução da indústria, uma revolução agrícola se espalhava por todo o continente europeu e as novas técnicas permitiam manter o gado por menos tempo no pasto, sendo com maior ganho de peso e conseqüentemente aumento do preço do produto. “Experiências para melhorar a qualidade das raças também foram realizadas nessa época” (p. 173). Os próprios instrumentos de trabalho, as ferramentas usadas na agricultura evoluíram bastante, tanto a revolução na indústria e na agricultura foram seguidas pela revolução no mundo dos transportes.

Era necessário transporte barato e regular, foi, portanto, “no século XVIII que tiveram início os melhoramentos na construção das estradas, abertura de canais. A revolução dos transportes não só possibilitou a ampliação do mercado interno em todas as direções, como também possibilitou ao mercado mundial tornar-se igual ao mercado interno” (p. 174).

“A Semente que Semeais, Outro Colhe...”
A situação dos trabalhadores durante e depois da revolução industrial do século XIX.
O regime fabril.
O trabalho das crianças.
A revolta contra as máquinas.
Os sindicatos e o voto.

Para desvendarmos o que se propõe esse capitulo é necessário nos reportarmos a análise da Revolução Inglesa, onde ocorreu uma verdadeira Revolução Industrial. Ocorreu “uma nova era na história em que um comércio ativo e prospero tornou-se índice não de melhoramento da situação das classes trabalhadoras, mas sim de sua pobreza e degradação” (p. 176).

Com a chegada das máquinas e do sistema fabril a divisão entre ricos e pobres tornou-se ainda mais acentuada. Onde quem mais sofreu foram os artesãos, devido a competição das mercadorias lançadas no mercado e feitas pelas máquinas.  “As máquinas, que podiam ter tornado mais leve o trabalho, na realidade o fizeram pior” (Idem). Os dias de trabalho eram cada vez mais longos e divisão de turnos na diária em quase nada adiantou, pois os turnos eram praticamente maiores do que a própria extensão natural.

"A dificuldade maior foi adaptar-se à disciplina da fábrica” (p. 178). E os capitalistas davam mais valor a máquina do que ao ser humano, pois esta primeira constituía um investimento, enquanto o segundo era apenas força de trabalho comprada.

Os capitalistas buscavam o máximo da força de trabalho e o mínimo de pagamento, além disso, aproveitavam-se dos trabalhos fáceis e baratos das mulheres e crianças. Estas últimas passaram a constituir a base do novo sistema de produção. A vida dos operários agora era outra: “em fábricas, sob a direção de um supervisor cujo emprego dependia da produção que pudesse arrancar de seus pequenos corpos, com horários e condições estabelecidos pelo dono da fábrica, ansioso de lucros” (p. 180).

As indústrias mudaram-se para os locais mais próximos das minas e ao se redor constituíram as cidades, como moradias precárias e insalubres, verdadeiras favelas no mundo antigo. Mas, para muitos, estar inserido naquele contexto de exploração ferrenha e desumana ainda constituía um fator de privilegio, garantia-se ao menos a subsistência, por mais precária que fosse.

“A Revolução Francesa foi um acontecimento sangrento. Os ricos, na Inglaterra, não gostaram. Odiavam o pensamento de que a horrível idéia francesa de ‘abaixo suas cabeças’ pudesse atravessar o canal e ocorrer também aos pobres ingleses” (p. 183). A idéia de emancipar a pobres e miseráveis nunca agradou a classe poderosa.

Quando os trabalhadores pediam redução de carga horária, inúmeros eram os argumentos para não se reduzir, como por exemplo, que isso reduzia também a liberdade natural do homem, inspirados, inclusive no economista da época Adam Smith e sua defesa do Laissez-faire.

A máquina era, no entanto, o grande inimigo, que roubava o trabalho dos homens e reduzia o valor de seu esforço, pois reduzia o preço das mercadorias.

Os trabalhadores revoltados, partiram para a revolução imatura e irracional, quebraram máquinas e destruíram fábricas e aí os capitalistas e os burgueses, temerosos, recorrem ao Estado, e ele cumprindo seu papel de comitê da burguesia, criou leis (a partir do Parlamento) para punir quem atentasse contra a máquina e/ou as fábricas. Era importante compreender que a máquina não era o mal por excelência, mas também seu dono.

E os trabalhadores deram-se conta que precisavam de representantes também no poder, para que pudessem ser defendidos e ouvidos. Eis que veio a idéia do voto, de elegerem representantes e assim tomar certa fatia do poder. A conquista do direito ao voto, representava a conquista de estar mais perto do poder e assim ser capaz de também decidir.

O sindicato, que não era nenhuma novidade, tornou-se mais organizado e forte, para junto com os trabalhadores, irem em busca dos objetivos mais necessários e urgentes. Este evolui naturalmente, a partir das associações de jornaleiros.

Finalmente, “a organização da classe trabalhadora cresceu com o capitalismo, que produziu a classe, o sentimento de classe e o meio físico de cooperação e comunicação. O sindicalismo é mais forte nos países mais industrializados, onde o sistema fabril levou ao desenvolvimento de grandes cidades” (p. 190). A esganação da classe operária por parte dos burgueses e capitalistas, levou a incorporação de buscar sempre a derrubada da classe exploradora em nome da firmação e da autonomia.
JaloNunes.