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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Fichamento - De Onde Vem o Dinheiro?; Na Indústria, Agricultura, Transporte



HUBERMAN, Leo. Capítulos 14 e 15: De Onde Vem o Dinheiro?; Na Indústria, Agricultura, Transporte. In: História da Riqueza do Homem. (Tradução Waltensir Dutra) 21 ed. São Paulo: TC Editora.

Capítulo 14: De Onde Vem o Dinheiro?
Dinheiro que é capital e dinheiro que não é.
O capital e os meios de produção.
Como os Impérios acumulam capital para a indústria moderna.
Novas formas de produção, nova religião.

“O dinheiro só se torna capital quando é usado para adquirir mercadorias ou trabalho com a finalidade de vendê-los novamente, com lucro”. (p. 156)

“Quando o dinheiro é empregado num empreendimento ou transação que dá (ou promete dar) lucro, esse dinheiro se transforma em capital”. (p. 157)

“É a força de trabalho do operário que o capitalista compra para vender com lucro, mas é evidente que o capitalista não vende a força de trabalho de seu operário. O que ele realmente vende – e com lucro – são as mercadorias que o trabalho do operário transformou de matérias primas em produtos acabados”. (Idem)

“Antes da idade capitalista, o capital era acumulado principalmente através do comércio – termo elástico, significando não apenas a troca, mas incluindo também a conquista, pirataria, saque, exploração”. (p. 158)

A maioria dos países anteriormente poderosos e ricos havia conquistado seus tesouros a partir do uso da força e da exploração sobre os nativos e/ou os menos desenvolvidos. Portanto, devastavam tudo para encontrarem e acumularem recursos.

“Até os negros eram mercadoria muito boa na Holanda, e que podiam ser facilmente obtidos na Costa da Guiné”. (p. 161)

O comércio, as conquistas, a pirataria, saque, exploração, tudo isso e muito mais contribuiu para a acumulação de capital há alguns séculos. Estas ações produziam lucros enormes e fantásticos e aumentava a cada vez mais.

O texto deixa claro que: “o homem só trabalha para outro quando é obrigado” (...), “pois quando os trabalhadores têm acesso aos seus próprios meios de produção – no caso, a terra – não trabalham para outra pessoa”. (p. 162)

·Uma vez que, enquanto os trabalhadores podiam usar suas ferramentas para fabricarem por conta própria, eles atendiam as suas necessidades e não se submetiam a outrem.

“Somente quando os trabalhadores não são donos da terra e das ferramentas – somente quando foram separados desses meios de produção – é que procuram trabalhar para outra pessoa”. (Idem)

Tornaram-se libertos dos Feudos, porém reféns dos novos modos de produção e assim só podiam vender suas forças de trabalho.

“O trabalhador com terra tornou-se o trabalhador sem terra – pronto, portanto, a ir para a indústria como assalariado”. (p. 163)

“O movimento de arrendamento e fechamento das terras fez com que os novos sem terra se sentissem irritados contra os senhores que lhes roubavam o direito a terra e contra o governo que impunha medidas para expulsa-los das terras (...), mas, não se pense que os donos de terra estavam expulsando os camponeses para proporcionar uma força de trabalho à indústria. (...) Estavam interessados apenas em arrancar maiores lucros da terra”. (p. 164)

“Do século XVI até princípios do século XIX, na Inglaterra, o processo de privar o camponês da terra teve continuação (...) e com isso, cidades e indústrias aumentam, por que mais pessoas irão à procura delas. Em busca de lugares e emprego”. (165)

“O fechamento foi, portanto, uma das principais formas de obter o necessário suprimento de mão-de-obra para a indústria”. (p. 166)

O próprio sistema fabril fez separar o trabalhador dos meios de produção assim como já o havia separado da terra.

“Na competição entre trabalho mecanizado e trabalho manual, a máquina tinha de vencer”. (Idem)

Na concorrência com a máquina o trabalhador sempre saia perdendo, muitas vezes o artesão precisava vender seu tear e ir em busca de emprego, seguindo a enorme fila daqueles que já haviam feito o mesmo. “Desta forma começou a existir a classe trabalhadora, sem propriedades, que com a acumulação do capital torna-se essencial ao capitalismo industrial” (p. 167).

“O mundo dominado pelos comerciantes, fabricantes, banqueiros, exigiu um conjunto de preceitos religiosos diferentes dos do mundo dominado pelos sacerdotes e guerreiros”. (p. 168). Neste sentido é que a Igreja perdeu espaço e o protestantismo serviu perfeitamente as ambições capitalistas.

“Tomemos por exemplo os puritanos. Enquanto os legisladores católicos advertiam que o caminho da riqueza podia ser a estrada do inferno, o puritano Baxter dizia a seus seguidores que se não aproveitassem as oportunidades de fazer fortuna, não estariam servindo a Deus”. (Idem)

“Em suma, o caminho da riqueza, para quem o deseja, é tão fácil como o caminho do mercado. Depende principalmente, de duas palavras, indústria e frugalidade; ou seja, não desperdice tempo nem dinheiro... aquele que, honestamente, ganha tudo o que pode, e poupa tudo o que pode, certamente se tornará rico”. (p. 169)

“Quando o século XIX teve início, ‘economizar e investir’ tornaram-se ao mesmo tempo o dever e o prazer de uma grande classe”. (p. 170)

“A acumulação de capital, que veio do comércio primitivo, mais a existência de uma classe de trabalhadores sem propriedades, prenunciavam o início do capitalismo. O sistema fabril em si proporcionou a acumulação de uma riqueza ainda maior”. (Idem)


Capítulo 15: Na Indústria, Agricultura, Transporte.
A máquina a vapor.
O crescimento demográfico.
O novo tipo de vida no século XVIII.




A máquina a vapor, surgida (inventada) no século de 1800, pelo Senhor Watt estava em uso em praticamente todas as minas, fundições, cervejarias e usinas. O aparecimento desta e de outras máquinas a vapor, fizeram do sistema fabril um sistema de larga escala, o que representou um tremendo aumento da produção.

Também “esse aumento de produção foi em parte provocado pelo capital, abrindo caminho na direção dos lucros. Abertura de mercados das terras recém-descobertas foi uma causa importante desse aumento” (p. 172).

Assim como a revolução da indústria, uma revolução agrícola se espalhava por todo o continente europeu e as novas técnicas permitiam manter o gado por menos tempo no pasto, sendo com maior ganho de peso e conseqüentemente aumento do preço do produto. “Experiências para melhorar a qualidade das raças também foram realizadas nessa época” (p. 173). Os próprios instrumentos de trabalho, as ferramentas usadas na agricultura evoluíram bastante, tanto a revolução na indústria e na agricultura foram seguidas pela revolução no mundo dos transportes.

Era necessário transporte barato e regular, foi, portanto, “no século XVIII que tiveram início os melhoramentos na construção das estradas, abertura de canais. A revolução dos transportes não só possibilitou a ampliação do mercado interno em todas as direções, como também possibilitou ao mercado mundial tornar-se igual ao mercado interno” (p. 174).

“A Semente que Semeais, Outro Colhe...”
A situação dos trabalhadores durante e depois da revolução industrial do século XIX.
O regime fabril.
O trabalho das crianças.
A revolta contra as máquinas.
Os sindicatos e o voto.

Para desvendarmos o que se propõe esse capitulo é necessário nos reportarmos a análise da Revolução Inglesa, onde ocorreu uma verdadeira Revolução Industrial. Ocorreu “uma nova era na história em que um comércio ativo e prospero tornou-se índice não de melhoramento da situação das classes trabalhadoras, mas sim de sua pobreza e degradação” (p. 176).

Com a chegada das máquinas e do sistema fabril a divisão entre ricos e pobres tornou-se ainda mais acentuada. Onde quem mais sofreu foram os artesãos, devido a competição das mercadorias lançadas no mercado e feitas pelas máquinas.  “As máquinas, que podiam ter tornado mais leve o trabalho, na realidade o fizeram pior” (Idem). Os dias de trabalho eram cada vez mais longos e divisão de turnos na diária em quase nada adiantou, pois os turnos eram praticamente maiores do que a própria extensão natural.

"A dificuldade maior foi adaptar-se à disciplina da fábrica” (p. 178). E os capitalistas davam mais valor a máquina do que ao ser humano, pois esta primeira constituía um investimento, enquanto o segundo era apenas força de trabalho comprada.

Os capitalistas buscavam o máximo da força de trabalho e o mínimo de pagamento, além disso, aproveitavam-se dos trabalhos fáceis e baratos das mulheres e crianças. Estas últimas passaram a constituir a base do novo sistema de produção. A vida dos operários agora era outra: “em fábricas, sob a direção de um supervisor cujo emprego dependia da produção que pudesse arrancar de seus pequenos corpos, com horários e condições estabelecidos pelo dono da fábrica, ansioso de lucros” (p. 180).

As indústrias mudaram-se para os locais mais próximos das minas e ao se redor constituíram as cidades, como moradias precárias e insalubres, verdadeiras favelas no mundo antigo. Mas, para muitos, estar inserido naquele contexto de exploração ferrenha e desumana ainda constituía um fator de privilegio, garantia-se ao menos a subsistência, por mais precária que fosse.

“A Revolução Francesa foi um acontecimento sangrento. Os ricos, na Inglaterra, não gostaram. Odiavam o pensamento de que a horrível idéia francesa de ‘abaixo suas cabeças’ pudesse atravessar o canal e ocorrer também aos pobres ingleses” (p. 183). A idéia de emancipar a pobres e miseráveis nunca agradou a classe poderosa.

Quando os trabalhadores pediam redução de carga horária, inúmeros eram os argumentos para não se reduzir, como por exemplo, que isso reduzia também a liberdade natural do homem, inspirados, inclusive no economista da época Adam Smith e sua defesa do Laissez-faire.

A máquina era, no entanto, o grande inimigo, que roubava o trabalho dos homens e reduzia o valor de seu esforço, pois reduzia o preço das mercadorias.

Os trabalhadores revoltados, partiram para a revolução imatura e irracional, quebraram máquinas e destruíram fábricas e aí os capitalistas e os burgueses, temerosos, recorrem ao Estado, e ele cumprindo seu papel de comitê da burguesia, criou leis (a partir do Parlamento) para punir quem atentasse contra a máquina e/ou as fábricas. Era importante compreender que a máquina não era o mal por excelência, mas também seu dono.

E os trabalhadores deram-se conta que precisavam de representantes também no poder, para que pudessem ser defendidos e ouvidos. Eis que veio a idéia do voto, de elegerem representantes e assim tomar certa fatia do poder. A conquista do direito ao voto, representava a conquista de estar mais perto do poder e assim ser capaz de também decidir.

O sindicato, que não era nenhuma novidade, tornou-se mais organizado e forte, para junto com os trabalhadores, irem em busca dos objetivos mais necessários e urgentes. Este evolui naturalmente, a partir das associações de jornaleiros.

Finalmente, “a organização da classe trabalhadora cresceu com o capitalismo, que produziu a classe, o sentimento de classe e o meio físico de cooperação e comunicação. O sindicalismo é mais forte nos países mais industrializados, onde o sistema fabril levou ao desenvolvimento de grandes cidades” (p. 190). A esganação da classe operária por parte dos burgueses e capitalistas, levou a incorporação de buscar sempre a derrubada da classe exploradora em nome da firmação e da autonomia.
JaloNunes.