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quinta-feira, 21 de março de 2013

Poesia - Buraqueira do Sertão

Disponível em:
www.opulsoapulsar.wordpress.com/
Toda noite,
Quando volto para casa
Meia noite
Ainda não é,
Mas é só olhar pra cima
Que lá está ela em pé:
Uma alma tão pequena
Espreitando o que vier!

E eu sinto-me
Envolto
Pela luz que vem do luar
Ou pela luz da água;
E meu ser obsoleto
Pela magia deixa-se levar.

E eu procuro vê-la
Ela faz girar seus olhos
E sempre me percebe antes!
E como se num altar
Disponível em:
www.terradagente.com.br/
Tem domínio sobre os fracos
Mortos estarão aqueles
Que caírem em seus garfos
Pontiagudos e tão móveis
Quanto seu tronco a voar!

Sim, eu olho para cima!
E pequeno me sinto...
Porque ela, toda noite está
Sobre o poste, ereto
Em meu jardim erguido.
A comer todo inseto;
Todo anfíbio;
Todo réptil
Que naquele centro de luz
De infelicidade cruzar!

E minha mãe, com gestos cuidadosos
Já a jurou de morte,
Porque essa alma
Grita e assusta,
Pobres almas
De humanos bem medrosos!

Mas, toda noite eu a vejo,
Ela, antes já me viu!
Em meu terreiro, de pé.
Para muitos, Caburé,
Mas, aquela pequena
Linda alma encrenqueira
Também é por vezes chamada
De Coruja Buraqueira!

Poucos seres
Desde a evolução
Conseguiram - como ela -
Trafegar com precisão
Entre a noite,
Entre o dia
E demonstrando em cada fase
Habilidade e maestria!

JaloNunes.