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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Histórias Malditas - Presenças de um Marchante/Conto Geracional

Num sítio, há muito tempo habitado por pessoas ignorantes e mesquinhas o diabo fez a festa. Lá morava um homem muito rude e esquisito, tinha muitas “qualidades ruins”, digo, defeitos: dentre eles a covardia de bater na sua sofrida mulher e nos seus inocentes e abismados filhos. Ele também matava animais para revenda de carne, era marchante, bebia muito e dedicava-se a atos impróprios para qualquer ser humano de bom senso.
As pessoas mais experientes daquela região sempre falavam em acontecimentos sobrenaturais naquele lugar, porém há algumas décadas esses acontecimentos deram trégua. Não sabiam que após a passagem daquela figura inconsequente tudo aconteceria como antigamente.
Uma noite foi modificada, o marchante, bêbado, provocou a ira dos possantes dos maus espíritos, recebendo deles a possibilidade de transmigração da alma, ou seja, foi morto a tiros, chegando, talvez, no lugar que sempre buscou, mesmo sem saber. Um lugar, do qual, poderia fazer malfeitorias à vontade sem se preocupar com as consequências pessoais, pois não almejava algo melhor.
Após o dia de sua morte, sua família providenciou a mudança daquele lugar, daquela casa, deixando ainda mais deserto aquele trecho da estrada do povoado.
Daí então se tornou comum ver visagens em frente a sua antiga casa, mas não com frequência, nitidez e abominação como estava vendo certo homem. Este homem era um dos tantos odiados pelo marchante enquanto vivo e com certeza ele desejaria infernalmente vingar-se.
Tudo começou não muito exagerado: o homem, vindo à noite da casa dos seus familiares, ficou amedrontado quando viu em cima da árvore, que ficava em frente a casa do marchante, uma bola de fogo que derramava chamas, tochas de brasa ardente por todo o chão. Desviou-se, com o coração a bater fortemente e muito assustado chegou em casa. Nada falou com ninguém, apenas rezou e deitou-se.
Na manhã seguinte foi conferir se o fogo havia devorado a árvore, pois era o que a coerência indicava, mas não, a árvore estava intacta. Gelou! Pensou no marchante e remoeu aquele acontecimento calado.
Noutra ocasião quase foi morto por um redemoinho sem sentido lógico, que lhe jogou de encontro a um forte tronco; ouviu ruídos, vozes e tremores no chão! Neste dia chegou a chorar de medo e foi correndo até o terreiro de sua casa.
Ao chegar certo dia na roça, quase perdeu o sentido da vida, pois sua plantação de milho e feijão estava totalmente seca, inexplicavelmente, pois a estação era invernosa.
Tudo que acontecia lhe fazia desistir da vida e buscar sempre a destruição. Estava quase louco, não aguentava mais a traquinagem da terrível alma do marchante.
Às vezes, sem mesmo se autodenominar ele saia vagando pela noite, como se o espírito lhe chamasse para brincar de matar a míngua. Nestas noites ele via touros ferozes querendo lhe exterminar, supostos esqueletos a vagar para lá e para cá. Via, ouvia, vultos e zunidos, ventos finos que chegavam a rasgar seus ouvidos a dentro, as pernas prendiam-se e ele aguentava o quanto podia. Muitas vezes foi encontrado desmaiado nos grotões, estradas, capoeiras e principalmente na frente da casa do marchante.
Para vingar-se, o marchante apareceu ao desgraçado homem na forma de bolsões de fogo ardente em chamas, na forma de redemoinhos, tempestades, relâmpagos e até "suaves ventos perturbantes", na pele de temíveis touros sangrentos querendo sangue para compor seu corpo consumido, na própria forma de alma (sem forma), de esqueletos, vultos e sensações ruins. Mas, chegada a hora decisiva apareceu para o homem “morto em vida” na sua própria forma, ou seja, naquele corpo e naquele rosto de marchante cruel e aliado do mal. O homem, sofrido, apenas viu o que o marchante fazia, pensava que no outro dia acordaria de novo como nas outras vezes, porém enganou-se. Desta vez o marchante castigou-lhe cruelmente, buscando apenas seu fim. Avançou-lhe muito rápido e recuou com todos os órgãos do homem nas mãos; ele na maior das verdades (e lógica) morreu.
No dia seguinte, os parentes foram pegá-lo para a elaboração do enterro, entretanto, seu corpo estava totalmente normal, sequer tinha danos ou marcas aparentes, porém sua alma, com certeza estava tautologicamente massacrada, corrompida, domada, foi induzida a deixar aquele corpo que tanto padeceu.
JaloNunes.
Imagem copiada de: meialua.gamehall.uol.com.br