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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Histórias Malditas - Um Espírito/Conto Geracional

Numa região serrana, um pobre animal tornou-se a vítima de um espírito sem rumo. Este espírito atrasado, desvirtuado e maléfico, tornou-se dominador e massacrador do referido animal (uma jumenta). Geralmente esses espíritos apossam-se ou atacam seres humanos, mas desta vez resolveu assolar e assombrar as noites de um pobre e inocente animal.
Esta jumenta dormia próximo de algumas casas e uma senhora presenciava, à distância, todo o tormento do pobre animal.
Após a meia-noite, chegando-se a madrugada, a mulher ouvia coisas horríveis que até mesmo ela arrepiava-se e sentia-se inconformada com o sofrimento da pobre jumenta.
Acontecia exatamente o seguinte: A jumenta começava a relinchar muito, como se percebesse a presença do espírito ruim, que se aproximava dela com planos terríveis de fazer sofrer sem que merecesse.
Depois, o dominado animal ficava indefeso, por mais que pulasse ou corresse não conseguia se livrar do espírito, como se ele grudasse em seu corpo, no seu interior. Então ela continuava a relinchar de forma descontrolada, soltava fortes "urros", "berros" e enormes gemidos dolorosos.
O sofrimento do animal era perceptível, ela gemia de dores, de medo. O abominável espírito atrasado parecia bater muito na jumenta, surrava-lhe, maltratava-lhe até perto do amanhecer. Só a senhora que morava na casa ao lado ouvia e também sofria junto com o animal.
Nos dias seguintes aos maus tratos, as pessoas não entendiam, pois o animal estava muito estressado, cansado, machucado e impaciente.
Só a mulher sabia o que a pobre jumenta suportava todas as noites e previa mais sofrimentos, ainda incontáveis, desmedidos e arrasadores que o animal aguentaria durante as noites que possivelmente viriam.


JaloNunes.
Copiada de: gamemagazine.com.br

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Poesia - Morrer

Na noite
Em que se retrai um olhar
Rápido como um açoite
Meu ser põe-se a desmoronar.

Ora, tudo ainda existe!
Algo sem matéria me toma
Minha reação não insiste
Nem meu comando retoma.

A porta abre-se
A brisa toca-me e eu sinto-me
O meu eu aconchega-se
E daquele envolvimento eu não livro-me.

A essência do meu eu se fecha
Meu olhar nada percebe,
Tento ouvir por uma fresta
Que a mente ainda concebe.

Eu sinto-me como sou!
Envolto pelo Universo,
Em matéria estava, em essência estou
E com ela eu converso.

Essa linguagem é exclusiva,
Ela é maravilhosa, pura,
É verdadeira, não distorce, é concisa;
Liberta o eu, amarra o eu, machuca e cura.

Isso não é solidão!
Isso é viver, ao menos um segundo
Ouvindo a essência, a mente, o coração
Sentindo-me protegido da agressividade do Mundo.

Não estou dormindo!
Estou renovando-me como ser humano,
Ainda estou descobrindo,
Aperfeiçoando-me e pela essência falando.

Que tal tocar meus pés no chão?
Sentir o que me sustenta!
E levantar minhas mãos?
Agradecer e ouvir o que me alimenta!

Agora, tudo está a se transformar!
Ouço sussurros, desesperos. Choro?
Alguém me chama. Estou a dormitar?
Ouço o som de um Coro!

Céus! Como pude transmigrar?
Como pude transcender?
Nada me ofende, me faz maltratar,
Coage-me, me distorce, me faz sofrer!

Acompanha-me a saudade,
A lembrança, a satisfação,
Mas agora vivo na verdade!
Serviu-me a bondade, me serviu a contemplação.
JaloNunes.