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terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Poeta e a Obra - Luciano José

Algumas "Poesias Curtas" de Luciano José:

Luciano José.
Em www.in: izp.al.gov.br
De acordo com a sua própria biografia, presente em um de seus livros de poesia, Luciano José "nasceu em Maceió/AL, em março de 1962. Com formação em Filosofia, pela UFAL, é professor da UNEAL - Campus III – Palmeira dos Índios, e do ensino da rede pública estadual. Em 2006 publicou seu primeiro livro de poesia: Intromissão do Poema". Além desse, publicou: Grãos de Versos -2007 e V(e)ia Poética - 2009.
Luciano José defende a "ideia de que a poesia representa uma maneira original de ver e de dizer as coisas".


Eis as Poesias....

Do Livro Intromissão do Poema - 2006

INTROMISSÃO DO POEMA
O poema é mal educado
Costuma entrar sem bater
Invade uma terra de ninguém
E diz respeito a tantos.

VIDA
Chegou
Tirou as chaves do bolso
Abriu a porta...
Antes de entrar
Uma profunda dor no peito
Pensou, chorou e caiu.

CÍRCULO DOLOROSO
Alguém sofre.
- Sossego, a dor vai passar!
Inesperadamente
Aquele que aconselhava sossego
Também foi atingido pela dor
O próximo o aconselhou
- Sossego, a dor vai passar!

INDISCRETO
Dutra
Lê o Kama Sutra
Se empolga
E leva pra cama Olga.
Cansado da peleja
Bebe algumas cervejas
Fica contente
E conta tudo pra gente.

MEIO TERMO
Meia noite, ao leito
Meio dia, almoço
Meio tonto, permaneço
Meio sem graça, vivo.

PRESSA
Alguém queria fazer
Uma pesquisa na internet
A presa era tanta
E a desorientação mais ainda
Que ao invés de navegar
Acabou naufragando.

MÁXIMA
Dedicar-se aos poemas
É libertar-se dos esquemas
É deliciar-se dos dilemas
É livrar-se dos livros
É não achar que ski seja esquisito
É confundir mosqueteiros
Com proteção contra mosquitos.

MAGIA DA ARTE
A prosa que lhe conto
vira romance,
transforma-se em poesia
e realiza encanto.
A peça que lhe narro
se disfarça em música,
converte-se em cordel
e de tudo tira sarro.

PASSAGEM
Jim Morrison
abriu, fechou,
jogou fora as chaves
das portas da percepção
e prosseguiu sua viagem.

FAMÍLIA UNIDA
O pai tem a vista curta
A mãe só enxerga de óculos
O filho, pela pouca idade, vê apenas vultos
Todos, em noite de lua cheia, naquela casa,
costumam cruzar com fantasmas.

CONFISSÃO
Juro a ti que nunca bem-te-vi tão bela
Beijando a flor de laranjeira
Perguntando se avestruz seria ema
E passarinhando a vida faceira.

NOME DE BEBÊ
Sozinha, Ana passeia
Enfeita seu caminho, lua cheia
Ana sentiu-se mal
Foi levada para o hospital
Da luz da lua
Com a solidão de Ana
Nasceu sua filha:
Luana.

COZINHA VIVA
Na cozinha viva...
O pé da mesa tem chulé
A geladeira se comporta com frieza
A esponja anda se esfregando
A chaleira é puxa-saco
O sabão espuma de raiva
A panela vive sob pressão.

 Do livro Grãos de Versos - 2007

REINCIDENTE
Do drama que virou piada
e só a lembrança restou
Riu melhor
quem depois da saída súbita
e do esquecimento ficou
Curou as feridas
e não desistiu do amor.

EXÓTICO
Tatuei tatu na testa
Gostei quando andei de besta
Bebi toda bebida da festa
Gritei gol da hora da cesta
Estive em casa na floresta
Trabalhei na noite de sexta
Adorei o que o outro detesta
E entendei...
Ser diferente é o que nos resta.

GOSTO
Aposto que não gosto do gosto
De tudo que brota em agosto
Daquilo que não me deixa disposto
Da prosa maldita, de todo desgosto.

SUBSTÂNCIA
A substância andava só
Soterrada, submersa
Depois da cópula
Sentiu-se absoluta
O próprio verbo
Mas faltava-lhe algo
Procurou, procurou...
Até que encontrou
O complemento.

CIRCUITO
Corra risco
Custa pouco
Curta temporada
Curtição garantida
Cuidado!
Curto circuito
Custa alto
Curta!
A vida é curta!

GUARDA-ROUPA
No passado,
A caverna nos protegia
Dos predadores e carnívoros.
Hoje,
O guarda-roupa nos salva
dos caçadores de adúlteros.

DESCASO
Sob a frieza do mármore
Formas pétreas, gestos enrijecidos.
Um coração que pulsa no silêncio
O olhar fixo no vazio.
Para manter a recusa em ordem
A estátua ignora qualquer pedido.

A REDE
Depois de engolir o cansaço
Ou permitir o gozo do sexo
A rede vomita gente de carne e osso.

ALÍVIO
Limões a sua volta
Frutas espremidas
Sobrou suco
Limonada
Tomou
Quase nada ficou
Restou urina
Esvaziou a bexiga
Ali vi o homem
Aliviado.

SEM DESTINO
Na esteira ergométrica
da academia de ginástica
A ação de caminhar
Não nos leva a lugar nenhum.

ENTENDIMENTO
Nem todos os pontos estão nos is
No entanto, para tornar
claro, nítido, franco
Negamos qualquer insinuação
No momento em que se diz:
"Preto no branco".

UNIVERSO MUSICAL
Tão bom ouvir o Tom
Compor um som
Cantar um samba
Fugir do sol
Achar a sombra
Dormir na relva
Fazer de conta
Que lá
A alegria não se diz
Mas se encontra.

NOMES
Staroup dresses groupie/ tomate, catchup
Allan Parsons Project/ Hell of Dante
Pato Donald Reagan/ Blade Runner replicante
Mautner e Jacobina/ piscina, margarida, Carolina
Jack Kerouac na estrada/ Easy Rider, moto ligada
Tatunkamon na pirâmide/ passo de Armstrong
Tarkus abre buracos/ King Kong, ping-pong
Jesus Cristo dança descrente na tenda eletrônica
ao som de DJ Judas contratado por trinta moedas.
 
ROCHA, Luciano José Barbosa da. Intromissão do Poema. Maceió: Edições Catavento, 2006. 106 p.
__________. Grãos de Versos. Maceió: Edições Catavento, 2007. 122 p.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Histórias Malditas - O Velho sem Vida/Conto Geracional

Na doença de um importante membro da sua família, um jovem foi obrigado a deslocar-se de sua casa ao entardecer, sabendo, portanto, que por causa da distância do percurso só poderia voltar já tarde da noite. Ele tinha a missão de levar um recado aos demais familiares.
O seu percurso de volta foi de dar pena. À noite, sem a luz do luar, ouviam-se marteladas a distância, sons incompreendidos pelos andantes comuns e correspondidos pelos andantes sem rumo. Uma estrada de terra, ladeada por árvores frondosas capazes de abrigar qualquer espécie de ser vivo ou até morto, fazendo do local uma verdadeira prisão. Seu medo maior era de se defrontar com um ser de outro mundo, o que ele conhecia por nome de Visagem, pois havia acontecido fatos inexplicáveis naquele trecho da estrada. Naqueles arredores havia morado muitas pessoas, mortas há muito tempo.
O caminho era cheio de buracos sem fim e grotões, era possível ouvir murmúrios e gemidos não identificados.
O garoto acabava de passar, com os olhos arregalados, as orelhas de pé e os pelos arrepiados por um dos temíveis grotões, agora tudo estava totalmente escuro. Na subida da ladeira o garoto choca-se. De repente! Enxerga um senhor a sua frente. Como poderia enxergar se tudo estava absolutamente escuro? Caminhava lentamente com roupas marrons, sujas e esbranquiçadas e carregava uma trouxa sobre as costas.
O garoto não resistiu, até porque o medo não lhe permitiu raciocínio, apressou os passos e passou a frente daquele velho esquisito. Não conhecido, por ele, na região.
Uma coisa surpreendeu muito o jovem abalado, quando se adiantou ao velho homem, olhou para seu rosto, sabia que não viria detalhes, pois, o escuro era total. O susto foi indescritível porque o menino conseguiu ver nitidamente o rosto do velho, identificou com bastante facilidade todos os traços do rosto dele e amedrontadamente concluiu que não o conhecia.
Distanciou-se do remoto – assustador - homem um pouco alienado, mesmo sem forças nas pernas conseguiu chegar em casa, mal conseguia falar e estava tremendo sem parar. Então relatou o que viu para sua mãe e sugeriu que ela aguardasse um pouco à porta, para que, quando ele passasse na estrada pudesse ser reconhecido por ela.
Sua mãe esperou horas e horas e o homem não passou. Se fosse um ser humano de carne e osso teria que passar pela frente da casa, aquela estrada era a única para poder passar, era a única passagem que um ser humano poderia trafegar.


JaloNunes.
Copiada de: www.japagirl.com.br

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Catedral de Notre Dame - Paris/França

A Catedral de Notre Dame de Paris, uma das mais antigas da cidade, foi feita em estilo gótico (a arquitetura gótica mostra o quanto uma sociedade é poderosa); e o início de sua construção data de 1163.  O nome Notre Dame deve-se ao fato de ter sido dedicada a Maria, mãe de Jesus Cristo. Em Paris, portanto, a catedral está rodeada pelo Rio Sena e fica próxima ao Museu do Louvre e outros pontos únicos da capital francesa.

Estar dentro dela é sinônimo de acolhimento de divinização; suas altíssimas colunas, detalhes e ápices que querem tocar o céu, leva-nos a uma sensação de estar mais distante da aceleração típica da sociedade moderna e nos remete a um estado de tranquilidade, contemplação e ao mesmo tempo admiração em relação a capacidade humana e suas respostas ao sagrado.

As missas só fazem o efeito esperado nos moradores locais; porque para a maioria dos turistas, as missas são apenas um algo a mais, para que a Catedral não perca sua índole religiosa e torne-se apenas uma obra de arte a ser visitada por pessoas de várias partes do mundo.
Fotos por: JaloNunes; Wécio Pinheiro e Alex Barbosa.
Placa alusiva à indicação da Catedral de Notre Dame

Catedral de Notre Dame ao fundo.

Inúmeras pessoas se curvam ao chão para poderem tê-la "ao todo" em suas máquinas fotográficas - Catedral de Notre Dame - Paris

Umas das entradas principais da Notre Dame - Paris.

A árvore de Natal a frente é porque estávamos em pleno Natal, fim de dezembro de 2008. Notre Dame - Paris.

Interno; placa alusiva à identificação da Notre Dame - Paris e o início de sua construção.

SP, AL, PB's...sobre ponte do Rio Sena (uma de tantas); Notre Dame - Paris, ao fundo.
Interno - o corredor central da Notre Dame - Paris.

Destaque para as cadeiras e as gigantes colunas da Notre Dame - paris.

Outra visão - pessoas orando sob um templo que literalmente abarca a todos - Notre Dame - Paris.

Um pseudo altar; vista de uma parte do teto; uma linda abóbada (dentre tantas) Notre Dame - Paris.

O corredor central por uma visão de quem está próximo do altar. Ao fundo, portanto, a entrada principal. Notre Dame - Paris.

O mercado das velas - Notre Dame - Paris.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Poesia - Solilóquio

Disponível em: elendemoraes.blogspot.com
Que sou?
Com ou sem o amor?
- Com o amor, me diz!
Ah, sim! Sou "ator"
De minhas ações,
Sou feliz.
Mas deixa-me falar também,
Do que eu seria sem o amor:
Da humanidade aquém;
Um dia sem calor;
Da estupidez além;
Tempestade sem vento;
Algazarra sem sorriso;
Pão sem café;
Guarda desatento;
Homem sem mulher;
Xícara sem asa;
Bule sem bico;
Humano sem casa;
Inverno sem tico-tico.
E com o amor, me diz!
Ah, verão ensolarado!
Obviedade nas coisas;
Mas também, muitas ilusões;
Fantasias eróticas; todo enamorado.
Sou eu, com o amor, eterno sonhador.
Digo - assim seja – para tudo;
Durmo até sem cobertor,
Pois o calor da amada supre,
Até excede, mas jamais satisfaz:
Quem nasceu para amar;
Para quem quer sorrir sempre.
Porque tudo que é tenaz,
Enlouquece nossa mente.
Nesses casos, o coração é o senhor.
O corpo é o operário.
Mas não é alienado;
Mas, similarmente, é entorpecido;
Naturalmente obedece e como que ordinário
Nutre-se da paixão e encontra o êxtase da vida.
JaloNunes.