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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Histórias Malditas - O Assovio que Mata/Conto Geracional

Numa humilde e solitária casa, morava uma velha mulher, uma senhora que apenas cumpria os dias que lhe foram concedidos. Sua antiga casa de taipa era praticamente rodeada pelas árvores enormes que compunham a grande floresta que se estendia por uma enorme porção de terras.Havia apenas um pequeno terreiro limpo entre a casa e a mata. A velha senhora morava sozinha, sem ninguém, desde meados de sua sofredora vida.
Ela só frequentava a floresta durante o dia, pois era uma mata terrivelmente cruel, especialmente as formas de vida que lá existiam, pois eram altamente maléficas, perigosas.
Desde sua infância esta pobre senhora era atormentada por um ser sobrenatural, que muitos nem acreditam, no entanto a mulher conhecia muito bem tal criatura (ela é bastante comum nas grandes florestas: a Caipora). Este fantasma das matas surra muitas pessoas e animais dentro dos matos, por isso sempre que a velha precisava ir a floresta não ousava fazer nada que contrariasse a temível caipora, pelo contrário, sempre que podia lhe ofertava porções de fumo, a criatura adora fumar! Porém, todas as noites a miserável mulher sofria muito.
A caipora com a velocidade dos ventos, vasculhava todo o lugar durante a noite, em busca de seres vivos para com a sua maldição atormentá-los e fazer traquinagem. Sempre que caía a noite, a caipora ia para o terreiro da mulher, sem exceções. Quando a velhota começava a dormir um pouco, ouvia por baixo do sono um “saudoso” assovio, que para a mulher era um massacrante assovio! Acordava-se com o coração descontrolado, a pressão a mil, o medo era tão profundo que os olhos esbugalhavam-se e o sono desaparecia. A caipora fazia os arredores da casa de palco, liberando assovios de todos os tipos e extensões. A habilidade de assoviar fluentemente deve-se aos costumes antepassados, porque as caiporas são os espíritos de criaturas que viviam em grupos e usavam os assovios para se comunicarem.
Os temíveis assovios entravam nos ouvidos da velha, de modo que os mesmos tornavam-se um único receptor de medo. Rompiam seu cansado cérebro, em seguida o aperto no peito era cada vez pior, não controlava mais seus movimentos, ficava como uma estátua, apenas respirava com dificuldades, sem bater sequer os olhos, o medo era sem medida! Depois que a caipora deixava a velha praticamente sem vida de tanto susto, afastava-se, porém, ao longe ainda ouviam-se seus assovios intrigantes, dizimadores.
Desde que se entendeu de gente, essa velha sofria com a maldade da encrenqueira caipora. A velha já sabia, sempre que ia dormir, que cedo ou tarde, a caipora chegaria para lhe fazer sofrer, assoviando contente com o sofrer dos outros.
Pode-se dizer que a vida da 'pobre morfina' senhora foi mergulhada na morte, ela vivia numa imolação mesmo sem ter morrido, ainda.
JaloNunes.
Imagem copiada de: salavipp.blogspot.com