PESQUISE NESTE BLOG

Carregando...

sábado, 11 de junho de 2011

Histórias Malditas - O Fogo Assustador/Conto Geracional

Interior puro, onde só existe mato, animais selvagens: grandes e pequenos. Lugar atrasado e minimamente habitado por pessoas. Neste lugar as pessoas sequer têm banheiros para realizarem suas necessidades fisiológicas, por isso, sempre que precisam, usam os matos (moitas), mesmo! Lá isso é meramente comum.
Imagine você, tendo uma forte dor de barriga no meio da noite, tudo escuro, pois não havia energia elétrica, apenas o brilho da Lua e das Estrelas, dos vaga-lumes, o cantar azucrinante dos grilos e o constante voo dos morcegos sanguinários. Pois é, uma pobre garota viveu esta terrível experiência, sentiu uma forte dor de “barriga noturna”. Na calada da noite, com todos dormindo ela não se aguentava mais e resolveu levantar-se sem que ninguém se acordasse.
Saiu tombando pelas paredes, com os olhos meio fechados, as canelinhas cambaleando e as mãos apertando a barriga que doía muito. Se a vissem naquele escuro morreriam de medo! Porque seus olhos ficaram vermelhos, faiscando com o reflexo da luz que entrava pelas frestas da velha porta de madeira. Puxou a tramela, abriu as portas e logo colocou os pés finos e doloridos sobre o chão frio. Olhou para todos os lados e imediatamente arrepiou-se, um arrepio que começou da ponta do dedo até a pontinha do último fio de cabelo da cabeça. Sentiu calafrios e apertos no coração, porém sua barriga apertou ainda mais. Não era louca de executar aquela imediata tarefa longe de casa, no mato, como se devia, então preferiu ficar nos arredores da casa mesmo, no dia seguinte providenciaria um retoque no local.
Então se acomodou ali, os olhos pareciam que iam pular do lugar de tanta força que fazia e por causa do medo que já estava sentindo.
Resolveu não olhar apenas para o escuro que lhe cercava. Nesta hora o vento soprava nas árvores chegando a fazer sons infernais, olhou então para o longe, para a malha negra que se estendia para todas as direções.
Na medida em que olhava ao longe, com os olhos ainda lacrimejados, percebeu que muito distante, a quilômetros no meio da escuridão havia uma pequena tocha de fogo oscilando. Ficou curiosa, pois não era comum luzes ou fogos naquele lugar durante a noite. Todavia, substituiu a curiosidade pelo medo, no instante em que viu que o fogo estava um pouco mais denso, movendo-se muito rápido em sua direção. Tirou um pouco o olhar para um morcego negro que voava sobre sua cabeça, no entanto a bola de fogo estava bem maior em relação ao tamanho inicial. Espantou-se! De onde vinha aquela estranha luz que estava mais próxima, enzinabrada de chamas que se espalhavam para todos os lados?
O susto foi tão grande que a menina esqueceu sua terrível dor de barriga, um medo tão intenso que congelou seu intestino corrompido. Levantou-se rápido, entrou em casa, bateu a porta, enfiou-se debaixo do cobertor empoeirado, velho e fedido. Todo o corpo tremia, os dentes batiam de tão grande que foi o medo. Aquele pequeno fogo ficara tão grande e aproximara-se como se fosse a engolir caso chegasse perto dela! Este pensamento não saia da sua cabeça e ela passou a noite toda sofrendo calada. No outro dia não parava de pensar e só olhava em direção ao lugar em que a bola de fogo apareceu. Imaginava ela, ser um Fogo Corredor, baseada no que os mais velhos contavam.
Nunca mais teve dor de barriga à noite e se tivesse não botaria os pés fora de casa. Apesar da curiosidade não ousou sair na noite seguinte para conferir se o fogo estava de novo como na noite anterior, pois o medo em que mergulhou era maior que tudo.
JaloNunes.
Copiada de: contosdearatuba.blogspot.com