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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

3 - O Poeta e a Obra - Florbela Espanca (parte 1/3)

Não só pelos críticos, mas também por todos aqueles que amam aquilo que se é expressado por meio de letras num papel – o amor  poético – da forma mais original, desnuda e incrível, consideram Florbela Espanca como um dos grandes nomes da literatura portuguesa, por que não, da literatura mundial. Nascida em 1824, em Vila Viçosa (Alentejo, Portugal), Florbela d'Alma da Conceição Espanca, teve uma vida bastante breve, se notarmos que a mesma faleceu em 1930, com apenas 36 anos de idade[i]; mas nem por isso, custou deixar sua marca no âmago na poesia mundial. O que se sabe é que Florbela teve uma vida pessoal tumultuada, sofrida, inquieta, especialmente no que refere as suas relações amorosas.  
Sobre a sua religião, dizia Florbela que “(...) o meu racionalismo à Hegel, apoiado numa espécie de filosofia à Nietzsche, chegou-me por muito tempo. Hoje... a minha sede de infinito é maior do que eu, do que o mundo, do que tudo, e o meu espiritualismo ultrapassa do céu” (DAL FARRA, 2005).
Nosso objetivo aqui não é apontar detalhes sobre a sua vida pessoal e/ou enquanto poeta, mas sim, tentar apresentar aquilo que se sobressai, quando pensamos na obra de Florbela; por não conhecer a amplitude dos seus textos, limitamo-nos no trato de alguns deles, destacando poemas e passagens interessantes (que nos acalanta intimamente, logo uma predisposição pessoal) e de outros textos escritos por ela.
Dal Farra (2005) diz ainda que,

Nunca ninguém teve tão vasculhada a sua intimidade, em busca de provas tanto a favor quanto contra, como essa mulher insurrecta! Rainha, sim, mas a duras penas, a ponto de terem profanado aviltantemente a sua privacidade, o bem que lhe era mais caro, se tornava best-seller - lugar que a sua obra ainda conserva hoje em dia -, mais ataques lhe eram dirigidos no sentido de evitar o risco de ser tomada como “exemplo” para as gerações femininas criadas à sombra do salazarismo.

Suas obras:
Livro de Mágoas (1919);
Livro de Sóror Saudade (1923);
Charneca em Flor (1931);
Cartas de Florbela Espanca (...) (1931);
As Máscaras do Destino (1931);
Sonetos Completos (...) (1934);
Cartas de Florbela Espanca (...) (1949);
Diário do último ano (1981);
O Dominó Preto (1982);
Obras Completas de Florbela Espanca (1985-1986) (Rui Guedes);
Trocando Olhares (1994) (Maria Lúcia Dal Farra).

Vamos ao que mais interessa:
Começamos com a...

Trocando Olhares (1915-1917)

Dedicatória
É só teu o meu livro; guarda-o bem;
Nele floresce o nosso casto amor
Nascido nesse dia em que o destino
Uniu o teu olhar à minha dor!
    
Cantigas leva-as ao vento...
A lembrança dos teus beijos
Inda na minh’alma existe,
Como um perfume perdido,
Nas folhas dum livro triste.

Perfume tão esquisito
E de tal suavidade,
Que mesmo desapar’cido
Revive numa saudade!

Num postal
Luar! lírio branco que se esfolha...
Neve, que do céu anda perdida,
Asas leves d’anjo, que pairando,
Reza pela terra adormecida...

No Minho
Casitas brancas do Minho
Onde guardam os tesouros,
As fadas d’olhos azuis
E lindos cabelos loiros.

Filtros de beijos em flor,
Corações de namoradas,
Nas asas brancas do Minho
Guardam ciosas as fadas.

Que diferença!...
Quando passas a meu lado,
E que olhas para mim,
Tornas-te da cor de rosa,
E eu da cor do jasmim.

Vê tu que expressões dif’rentes
Da nossa mesma ansiedade:
A cor da rosa é despeito,
A palidez é saudade!

Os teus olhos
O céu azul, não era
Dessa cor, antigamente;
Era branco como um lírio,
Ou como estrela cadente.

Um dia, fez Deus uns olhos
Tão azuis como esses teus,
Que olharam admirados
A taça branca dos céus.

Quando sentiu esse olhar:
“Que doçura, que primor!”
Disse o céu, e ciumento,
Tornou-se da mesma cor!

Verdades cruéis
Acreditar em mulheres
É coisa que ninguém faz;
Tudo quanto amor constrói
A inconstância desfaz.

Hoje amam, amanhã ‘squecem,
Ora dores, ora alegrias;
E o seu eternamente
Dura sempre uns oito dias!...

Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.

Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...

Súplica (I)
Digo pra mim
Quando ele passa:
Ave Maria
Cheia de Graça!

E quando ainda
Mal posso vê-lo:
Bendito Deus
Como ele é belo!

Embalada num sonho aurifulgente
Sei apenas que sonho vagamente,
Ao avistar, amor, teus olhos belos,

Em castelãs altivas, medievais,
Que choram às janelas ogivais,
Perdidas em românticos castelos!

Duas quadras
Não sei se tens reparado
Quando passeia, o luar
Pára sempre à tua porta
E encosta-te a chorar;

E eu que passo também
Na minha mágoa a cismar
Paro junto dele, e ficamos
Abraçados a chorar!
 "Procurando Florbela Espanca", de Manuela Pinheiro (pintora portuguesa). Disponível em: Sem pénis nem inveja (Veneno com açúcar).


[i] “Até a passagem do dia 7 para o dia 8 de dezembro de 1930 – data em que, ritualisticamente, Florbela se suicida no momento em que completa trinta e seis anos -, ela havia alcançado publicar, tão-somente às próprias custas, a pequena tiragem de duzentos exemplares para cada um dos seus dois volumes de poesia: o Livro de Mágoas, em 1919, e o Livro de Sóror Saudade, em 1953” (DAL FARRA, Maria Lúcia, 2005).
Obras Consultadas:
DAL FARRA, Maria Lúcia (Org.). Poemas de Florbela Espanca: estudo introdutório, organização e notas. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
ESPANCA, Florbela. As Máscaras do Destino.  São Paulo: Martin Claret, 2009. (Coleção a obra-prima de cada autor); 292).
 _______, Florbela. Contos e Diário. 1ª ed. Alfragide: BIIS: 2009.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Fichamento: História das Doutrinas Econômicas (Capítulo 3), de Paul Hugon

HUGON, Paul. História das Doutrinas Econômicas. 14 ed. São Paulo: Atlas, 1984.

3. O MERCANTILISMO
  • Mercantilismo representa o conjunto de ideias e práticas econômicas que floresceram na Europa, entre 1450 e 1750.
  • Foi essa nova ordem intelectual, política e geográfica que favoreceu a aurora dos tempos modernos.
Transformação intelectual:
  • Representada pelo Renascimento.
  • “É o momento em que ressoam os nomes prestigiosos de um Leonardo da Vinci, de um Miguel Ângelo, de um Rafael, e um Ticiano”. (p. 59)
  • Tudo isso possibilitou o desenvolvimento da ciência moderna. Desenvolve-se a curiosidade de saber, um ideal novo de bem-estar, de consumo, de luxo.
  • A impressa contribui decisivamente para o desenvolvimento de novas ideias.
  • Junta-se a tudo isso uma vontade de criar, sendo que em todos os domínios.
  • Essa vontade de viver melhor, de empreender, de querer realizar-se e conquistar são bastante favoráveis ao desenvolvimento econômico.
  • Calvino é importante contribuinte da ideia de atividade econômica e de busca de lucros.
  • Ele posiciona-se contra as proibições do catolicismo e justifica o empréstimo a juros.
Transformação política:
  • Surge no século XI o Estado Moderno.
  • A centralização monárquica se generaliza em toda a Europa.
  • Neste âmbito o estado submeteu seus servos e adquiriu a capacidade de transformar a unidade política e econômica numa ideia de economia nacional e daí o Estado passa a coordenar todas as diferentes forças ativas da nação.
  • O comércio transforma-se em negócio público.
  • A nação passa a ser compreendida como um organismo econômico.
  • Surgem também antagonismos violentos, pois ‘o lucro de uns acarreta no prejuízo de outros’.
Transformações geográficas:
  • A decisiva no processo de expansão e conquista de territórios, foi sem dúvida a navegação, e especialmente, aquela desenvolvida pelos portugueses.
  • Neste processo de forte exploração, a vida econômica rasga, então, o horizonte universal.
  • “A transformação geográfica, foi, talvez o fenômeno mais importante. O afluxo dos metais preciosos (...) estimulam o desenvolvimento das ideias interessantes sobre moeda e a possibilidade de elaboração da concepção metalista, base dos sistemas mercantilistas”. (p. 64)
IDEIAS ECONÔMICAS E MONETÁRIAS
Ideias referentes à moeda
  • No século XVI, a moedas tomam conta da Europa; a questão do valor passa a ganhar outra conotação e os trabalhadores são os que mais sofrem.
  • Neste período, então havia uma forte alta dos preços.
  • Causa esta, advinda da enorme quantidade de metais que estavam estocadas.
  • Havendo uma relação direta entre movimento do estoque de metal precioso e os movimentos de preço.
Ideia Metalista
  • “A prosperidade dos países parece estar na razão direta da quantidade de metais preciosos que possuem”. (p. 65)
  • Riqueza e quantidade de metal precioso, possuídas por um país é expressão de um só fenômeno.
  • “Os mercantilistas não veem o ouro e a prata como a única riqueza, mas os considera como o mais perfeito instrumento de aquisição da riqueza”. (p. 66)
  • Muitos mercantilistas confundiram a riqueza com o dinheiro.
  • Outra ideia metalista: a necessidade de dinheiro para se fazer a guerra.
  • Três princípios fundamentais da ideia metalista: ideia de moeda e riqueza, durabilidade da riqueza metálica, necessidade de dinheiro para a guerra.
  • Essas ideias são a alma do pensamento mercantilista.
JaloNunes.
Copiado de: www.traca.com.br

sábado, 5 de novembro de 2016

Fichamento: A ideia de Cultura, de Terry Eagleton

EAGLETON, Terry. A ideia de Cultura. – São Paulo: Editora UNESP, 2005.
  • Cultura: seu significado antropológico abrange tudo, desde estilos de penteado e hábitos de bebida até como dirigir a palavra ao primo em segundo grau de seu marido; em contraposição, poder-se-ia considerar o significado estético nebuloso demais, e o antropológico limitado demais (p. 51).
  • Segundo o autor, estamos entre uma noção de cultura debilitantemente ampla e outra desconfortavelmente rígida (p. 51).
  • Apesar do alcance aparentemente ilimitado da definição antropológica, algumas coisas são consideradas mundanas para serem culturais, ao passo que outras são demasiado específicas (p. 52).
  • E se cultura significa tudo que é humanamente construído ao invés de naturalmente dado, então isso deveria logicamente incluir a indústria assim como a mídia, formas de fazer patos de borracha, assim como maneiras de fazer amor ou de se divertir (idem).
  • Clifford Geerts vê a cultura como as redes de significação nas quais está suspensa a humanidade; Raymond Williams como o sistema significante, através do qual uma ordem social é comunicada, reproduzida, experienciada e explorada (idem).
  • Williams também faz uma distinção entre significação e necessidade. Todos os sistemas sociais envolvem significação, mas nem todos eles são sistemas significantes; é questão do útil e do inútil (p. 54).
  • A cultura pode ser resumida como o complexo de valores, costumes, crenças e práticas que constituem o modo de vida de um grupo específico; a cultura é então, simplesmente tudo que não é geneticamente transmissível (p. 54/55).
  • De outro ponto de vista, a cultura é o conhecimento implícito do mundo pelo qual as pessoas negociam maneiras apropriadas de agir em contextos específicos (p. 55).
  • Williams conclui em quatro os significados de cultura: uma disposição mental individual; o estado de desenvolvimento intelectual de toda uma sociedade; as artes e o modo de vida de um grupo de pessoas (p. 56).
  • Em certo sentido, a expressão “instituição cultural” é uma tautologia, pois não existem instituições não culturais (p. 57).
  • Para o autor a teoria da cultura é: um estudo das relações entre elementos de um modo de vida total (idem).
  • Pessoas que pertencem ao mesmo lugar, profissão ou geração nem por isso constituem uma cultura; elas o fazem somente quando começam a compartilhar modos de falar, saber comum, modos de proceder, sistemas de valor, uma auto-imagem coletiva (p. 59).
  • Hoje em dia o termo cultura a tornou superespecializada, refletindo obedientemente a fragmentação da vida moderna (idem). Agora ela significa a afirmação de uma identidade específica – nacional, sexual, étnica, regional – em vez de transcendência desta (p. 60).
  • O pós-modernismo opta pela cultura como conflito em vez de como reconciliação imaginária; acentuado a fragmentação a impossibilidade de transcender à totalidade (p. 61). Neste sentido, as culturas são frequentemente universais concretos, versões localizadas do próprio universalismo que os pós-modernistas denunciam (p. 66).
  • Cultura é mais amplo, universal; cultura é mais restrito, local (interpretação minha).

JaloNunes.
Copiado de: editoraunesp.com.br

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Semana Graciliânica

A Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes - APALCA, de Palmeira dos Índios/AL convida todos os palmeirenses e circunvizinhos a participarem da programação em homenagem ao escritor Graciliano Ramos, a realizar-se no próximo dia 27/10 na Sede da Apalca, a partir das 14h. A Roda de Leitura Graciliânica e o Documentário sobre Graciliano Ramos são apenas algumas das atrações.
Endereço: rua Major Cícero de Góis Monteiro, 79, Centro da referida Cidade.
Disponível em: http://apalca.com.br/

domingo, 16 de outubro de 2016

Fichamento: Curso de Introdução à Economia Política, de Paul Singer

SINGER, Paul. Curso de Introdução à Economia política. 17 ed. RJ: Forense Universitária, 2004. 

O CAPITAL E O CAPITALISMO EM PERSPECTIVA HISTÓRICA
  • “O capital é, na verdade, muito mais antigo que o capitalismo na história da humanidade”. (p. 132)
  • “Até determinado momento, os produtores mesmos se davam ao trabalho de levar seus produtos ao mercado e aí realizar as transações de compra e venda necessárias ao prosseguimento de sua atividade produtiva”. Idem
  • “O que fez do comerciante um capitalista é exatamente o fato de que, embora não seja um produtor direto, ele participa do produto”. Idem
  • “Restaria então o comerciante puro, unicamente engajado em comprar e vender. Seu ganho resulta, nesse caso, da diferença entre o preço pelo qual compra as mercadorias e o preço pelo qual as vende. A relação entre o lucro é unitário e o preço de venda constitui a margem de lucro. O lucro total resulta: da margem de lucro; do valor das transações e do número de transações”. (p. 132/133)
  • “Para o marginalismo, o capital é representado pelo conjunto de recursos materiais ou mentais que permitem ao homem elevar sua produtividade”. (p. 133)
  • Para os marginalistas não interessa quem se apropria do capital: o produtor ou outra pessoa qualquer.
  • “Mas, para os marxistas este é o problema crucial, pois o capital não é constituído ‘por coisas’, mas por uma relação social” (p. 134)
  • A penetração do capital no processo produtivo pode ser representada pelo salário.
  • “Na altura em que surge o capital comercial como um elemento expressivo no quadro econômico, as trocas mercantis já atingem necessariamente grande amplidão (...) o que significa que elas são também necessariamente monetárias”. Idem
  • “A existência da moeda dá lugar a uma outra espécie de capital de circulação: é o capital financeiro, que surge primeiro sob a forma de capital usuário”. (p. 135)
  • “Os juros são proporcionais ao montante emprestado e ao tempo que durar o empréstimo. Os ganhos do usuário dependem, portanto de 3 elementos: taxa de juros; do valor do capital usuário e do tempo que durar o empréstimo” (p. 135/136)
  • “O lucro do capital usuário em cada rotação, isto é, em cada operação de crédito, é tanto maior quanto mais tempo ela levar”. (p. 136) 
  • “O capitalismo só surge como modo de produção no século XVI, na Europa, sob a forma de manufatura”. (p. 137)
  • “A Revolução Industrial inaugurou, a partir do último quartel do século XVIII, uma nova fase na história do capitalismo: a máquina”. (p. 138)
  • “As novas técnicas de produção são tão superiores em relação às antigas, que o pequeno empreendedor acaba sendo totalmente expulso de um ramo após outro”. Idem
  • “Para que o capitalismo se apoderasse de todos os ramos de produção, foi necessário o triunfo político do Liberalismo para que a máquina, sob a forma de capital industrial, pudesse penetrar em todas as esferas da vida produtiva, revolucionando a técnica, arregimentando os produtores e expandindo de modo notável a escala de produção”. (p. 139)
  • “A produção de novas técnicas, que inicialmente era o resultado natural do trabalho do artesão ou então constituía atividade especializada do inventor individual, passou a constituir a atividade de grandes equipes de especialistas diretamente sob o comando do grande capital”. (p. 140)
  • “Uma das características do capitalismo monopolista é de que, nos mercados oligopólicos, os ganhos de produtividade não acarretam, em geral, queda dos preços dos produtos, como costuma ocorrer em mercados concorrenciais”. (p. 141)
  • “Argumenta-se que, como resultados dos avanços técnicos, deu-se uma segunda revolução industrial, da qual surgiu um capitalismo pós-industrial. O ponto de ruptura entre o antigo capitalismo industrial e novo capitalismo pós-industrial teria sido a invenção do computador e do servomecanismo”. Idem
  • Servomecanismo é uma espécie de minicomputador, que é adaptado a diversas máquinas e as controla.
  • “Ao homem sobrou a tarefa de vigiar e supervisionar a máquina. Aparentemente ele perdeu esta função para o servomecanismo”. (p. 142)
  • “A aplicação prática da automação é ainda incipiente[1] em países capitalistas, mesmo nos países adiantados, porque os que dominam o processo produtivo têm de fato muito menos entusiasmo pela automação do que professam em público”. (p. 143/144)
  • O alto grau da automação ameaça a produção de mais-valia, já que afasta do processo produtivo o trabalho vivo.
  • “Nos países capitalistas mais adiantados, o trabalho científico que levou ao desenvolvimento dos computadores e da maioria dos processos automáticos, foi e é financiado, em geral, por recursos públicos tendo por objetivo a invenção de armamentos”. (p. 144)
  • “O capitalismo está esgotado em seu papel histórico: tendo surgido como um modo de produção que revolucionou a técnica de modo contínuo e sistemático, ele elevou os níveis de produtividade do trabalho humano a níveis nunca antes sonhados”. (p. 145).
JaloNunes.
Copiada de: www.rsraridades.com.br


[1] Elementar, simples, rudimentar...

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Caravan Maschera Teatro (apresentação em Palmeira dos Índios/AL)

A Dupla (ator e atriz) que compõe o Teatro "Caravan Maschera" vem circulando o Brasil, fazendo a belíssima apresentação intitulada "Circulação. Vidas Secas: da Zona Rural de Atibaia (SP) para o Sertão de Graciliano Ramos"; e para a alegria e contemplação dos alagoanos, esteve em cidades como Maceió e Palmeira dos Índios, a cidade acolhida por Graciliano Ramos (1892-1953), palco principal de um dos seus mais famosos romances: Caetés, além de ser o lugar no qual o escritor também foi Prefeito, entre 1928 e 1930.
Segundo os atores, trata-se de uma releitura da obra de Graciliano Ramos na forma de imagens, sensações e situações quase sem o uso de texto. A música e a plasticidade dos bonecos determinam toda a atmosfera muda do espetáculo.
Diz ainda, no material de divulgação, que: a adaptação de Vidas Secas pela Cia Caravan Maschera retrata, de maneira direta, concisa e, às vezes, bruta e sem qualquer floreio (em alusão à própria seca, a qual essas características podem ser creditadas), a saga de uma família de retirantes, atingida pela seca, que vaga pelo sertão brasileiro em busca de melhores condições de vida por meio de uma poesia do olhar. Graças à uma narrativa construída predominantemente de imagens e de bonecos que incorporam a aspereza e a angústia da seca, a palavra pôde ser restrita a sons guturais ditas pelos personagens. O texto de Graciliano Ramos contribui para o espetáculo na condição de literatura crua enunciada em escritos projetados e em voz gravada.
Para o deleite dos moradores de Palmeira dos Índios/AL, duas apresentações foram realizadas: uma na Aldeia Mata da Cafurna e outra no SESC-LER da cidade acima citada.
Nossos agradecimentos aos atores pela predisposição, pela coragem de cruzar o Brasil, desde o Sudeste rumando para o Nordeste e deixando um pouco mais de cultura, de arte, por onde passavam e davam movimentos e vozes aos bonecos, criando um cenário único e inédito para centenas de moradores nas mais diversas cidades e localidades (fosse capital de Estado ou interior).
Gostaríamos de enfatizar, ainda, sobre a magia que é revelada no encontro de uma pessoa com tão sublime arte, o teatro; para muitos - como dissemos antes - tratou-se de uma experiência única e especial... Foi comum ouvir a frase: - mas será que aqueles teatros que o povo fala na televisão é tudo assim?